O Exterminador do Futuro e os paradoxos do tempo

Assisti recentemente a quadrilogia The Terminator, e rever tais clássicos teve um impacto bastante significativo nas minhas reflexões atuais. Estamos num período onde parece sempre existir a possibilidade de extrapolar um limite que existia anteriormente, seja por meio da ciência ou por meio do uso de tecnologias. A discussão sobre livre-arbítrio está efervescente com as provocativas conclusões a que chegam alguns neuroscientistas – de que basicamente não somos livres em nossos processos de escolha. Ao mesmo tempo, o campo da Inteligência Artificial, com seus projetos de criar agentes inteligentes e racionais, antropomórficos ou não, passa a levantar milhares de questões éticas, epistemológicas, econômicas e antropológicas. Estes são dois breves exemplos sobre extrapolação científico-tecnológica: no primeiro caso, a extrapolação está em contrapor o dado científico a uma intuição forte e arraigada da consciência humana: a de que realizamos escolhas de maneira livre em alguns casos específicos. No segundo caso, a extrapolação está em criar algo tão ótimo quanto agentes humanos, ou melhor do que agentes humanos, no que diz respeito a inteligência e a racionalidade.

Bem, a reflexão mais significativa que tive ao assistir The Terminator foi sobre uma possível extrapolação que talvez esteja para acontecer – embora seja perfeitamente possível que tal extrapolação nunca aconteça. Estou falando sobre a famosa ‘viagem no tempo’. Todos os filmes da série The Terminator estimulam pensamentos da forma: como pode ser o caso que um sujeito S1 vem do futuro para garantir a segurança de um sujeito S2, sendo que S2 foi quem mandou, no futuro, S1 vir lhe proteger no passado? O filme é um estimulo para o espectador percorrer os aspectos paradoxais das viagens no tempo.

Um famoso paradoxo da viagem no tempo é o paradoxo do avô. O cerne deste paradoxo é que, se é possível viajar no tempo, mais especificamente para o passado, então é possível interferir na cadeia causal que levou a existência do próprio sujeito que está viajando no tempo. Dando como exemplo o próprio John Connor do filme: embora ele mesmo não tenha voltado para o passado, ele enviou um protetor para a sua própria existência anterior, de modo que a sua existência atual estivesse salvaguardada. Mas não seria necessário que John Connor existe no futuro? De acordo com o paradoxo, não, pois esta é uma verdade contingente que depende de uma série de fatores.

Embora tal paradoxo sobre viagem no tempo seja construído com uma viagem ao passado, ele também pode ser construído com uma viagem para o futuro. Imagine que eu viaje para o futuro agora para me observar lá em 2020, por exemplo. O Luis do ano 2020 tem uma linda filha de 8 anos, e brinca com ela num quintal sintético que emula perfeitamente a fauna e flora locais. Acontece que esta filha foi feita em 10/04/2012 às 10:37 h – e este é o momento exato em que saí para a viagem no tempo. Ora, se não estou lá em 2012 fazendo a minha futura filha, como pode ela existir no futuro?

O que acontecerá se existir esta extrapolação de viagem no tempo? O que um paradoxo faria na realidade? Ou será que viagem no tempo é apenas uma viagem de mentes viajonas, que têm uma compreensão errada de o que é o tempo? Ou será, ainda, que embora nosso conceito de tempo esteja errado ainda assim é possível viajar no tempo? São perguntas provocativas, estimulantes e pertinentes. É por isso que ficção científica é tão bom!!! =]

8 comentários

  1. “… a extrapolação está em criar algo tão ótimo quanto agentes humanos, ou melhor do que agentes humanos, no que diz respeito a inteligência e a racionalidade.”

    Inteligência Artificial – nesse sentido de tentar emular agentes humanos – jamais funcionará porque é impossível qualquer computador conseguir reproduzir a demência humana.

    1. Depende do seu ponto de vista, sendo bem materialista. Afirmo com toda certeza que é possível reproduzir o cérebro humano em computadores, bastando reproduzir a sensibilidade e a conectividade de nossos neurônios, até porque, nossa mente é apenas isto. Logo, se tiver suporte necessário é possível, e eu te diria que estamos chegando perto disto.

  2. Luis Rosa · · Responder

    na verdade, estou desenvolvendo um protótipo, o DEMENS-09, que, entre outras coisas, fica reafirmando uma tese depois de ter notado sua falsidade, não se importa com relações custo/benefício e toma como sentido de sua vida um time de futebol. demente o bastante?

  3. Tá quase bom (exceto a parte do “custo/benefício”). Será eleito presidente em 2014. sdkfjhs.

  4. Cara, se tu soubesse o quanto tempo eu já pensei em achar algum furo lógico em Terminator 1… hehe. Belo post!

    1. Luis Rosa · · Responder

      então cara, em todos os filmes da série uma vertigem é causada, mas se tu colocar tudo em premissas, vai ver q acontece uma circularidade. pq o john connor só pode existir pelo fato de que ele próprio mandou alguém para protegê-lo. isso quer dizer: a futura existência dele depende da futura existência dele (ou: john connor existe -> john connor existe). não chega a haver contradição, mas apenas circularidade.

  5. Logo no primeiro filme há furos lógicos, não precisa nem ser inteligente para notar isto. Como John Connor enviou o pai para o passado para engravidar a mãe dele? Como ele teria nascido antes de enviar o pai para o passado e ter engravidado a mãe dele? A existência de John Connor depende da sua própria existência. É um paradoxo, é um circulo sem fim, é uma coisa ilógica.

  6. Pelo princípio de causa/efeito o paradoxo temporal do filme é inevitável: é impossível um efeito ter como causa a si mesmo, pois todo efeito é resultante de uma causa anterior a ele. Não podemos provocar o nosso próprio nascimento, ainda que enviemos alguém para o passado para garantir isto, uma vez que o evento já ocorreu, isto é, já nascemos, tudo que conseguiríamos com isto é mudar o passado, a causa de um determinado acontecimento futuro, que era o objetivo do exterminador. Na história Kyle Reese é mais jovem que Jonh Connor, como poderia ser seu pai? Poderia se Jonh Connor não existisse no futuro até à sua viagem ao passado.
    Assim cheguei a conclusão que John Connor é Deus, por que ele é a causa da sua própria existência (rsrs)

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