Author Archives: marcosfanton

Subjetividade e razão prática nas decisões judiciais

Acho que todo mundo que já passou por algum problema com processos judiciais (ou deparou-se com alguma situação que tinha que decidir se iria processar alguém ou não) ouviu a desesperançosa (ou desesperadora) frase de um advogado: “bom, não posso te garantir nada. Isso depende muito do juiz que você pegar (e/ou de sua orientação)”. […]

Entre os repolhos, as batatas e o materialismo dialético (sobre o livro O Fetichismo do Conceito, de Luis de Gusmão)

A princípio, eu acho que todos vocês concordariam que o modo como utilizamos a linguagem não é o mesmo para comprar repolhos e batatas na feira e para ler um livro ou um artigo de ciências e filosofia. Por isso mesmo, quando estamos comprando produtos na feira, não apontamos para o repolho e dizemos “mas […]

Como saber se uma pessoa está ou não está consciente? O exemplo do estado vegetativo persistente

Sentado em meu sofá, estou concentradíssimo tentando matar Hércules, um dos chefões de God of War 3. Depois de sete tentativas frustradas, quando, finalmente, estou a ponto de destruí-lo e conquistar sua arma, ouço uma voz firme e  distante: “Marcos, tu ouviu o que eu disse?”. Despido, agora, de valentia e força bruta, jogo o […]

A falácia mereológica da neurociência

Em um post anterior, eu fiz alguns comentários iniciais da obra Philosophical Foundations of Neuroscience, dos autores Bennett & Hacker, salientando o modo integrado de investigação entre filosofia e uma ciência em particular, a neurociência cognitiva. Trabalhar dessa maneira interdisciplinar, em certo sentido, é sempre um risco, pois já não estamos mais trabalhando com um […]

O que um filósofo faz em um laboratório?

Reza a lenda – e a maioria dos professores ensebados regozijam-se em a repetir – que Tales caiu em um poço ao olhar para o céu e suas estrelas. Disso, quase sempre se segue o contraste entre a zombaria de uma criada e o professor enchendo o peito para falar da “busca **obstinada** pela verdade […]