Aprendendo a programar, ou ainda: alfabetização que vai além do bê-a-bá

Viver em uma época de convergência extrema entre o real e virtual demanda cada vez mais um tipo de entendimento mais aprofundado sobre as tecnologias que nos rodeiam. Mas falar sobre entender tecnologia, atualmente, vai um pouco mais além de conseguir usar o Facebook no seu celular, ou decorar as novas funções do iPhone 5.

Saber como as coisas funcionam e entender as variáveis envolvidas nesse processo distingue quem entende tecnologia e quem gosta de tecnologia. E um dos fatores mais mais importantes nesse entendimento é o conhecimento de linguagens de programação. Por quê? Pelo simples fato de que códigos fazem boa parte das nossas tecnologias funcionarem.

De uns tempos pra cá, eu defendo ferozmente a ideia de que aprender uma linguagem de programação é apenas mais um passo da nossa alfabetização. Se vivemos em uma realidade que avança diariamente em termos de tecnologia, e se essa tecnologia depende de uma escrita própria para poder se desenvolver, nada mais justo do que incluir o aprendizado dessas linguagens em nossa educação.

O grande problema dessa afirmação é que essa necessidade ainda não é muito reconhecida fora de certos nichos educacionais, mais especificamente aqueles que são orientados à formação de indivíduos capazes de gerar produtos que demandam esse tipo de conhecimento. As pessoas ainda não veem aplicações práticas para o dia-a-dia no aprendizado de linguagens de programação, assim como, por muito tempo, grande parte da sociedade não via (e muita gente ainda não vê) a importância de se saber matemática, física ou química quando não há interesse profissional no assunto.

Porém, é interessante perceber a mudança sutil que esse tipo de conhecimento traz. Coisas simples, como usar o Excel ou ser capaz de postar uma imagem no mural do Facebook são formas de utilizar código, mas que estão disfarçadas por uma interface agradável e prática para o usuário.

É importante enfatizar que ninguém está falando sobre ser capaz de gerar um sistema operacional extremamente complexo, mas sim ser capaz de entender (mesmo que de maneira abstrata, no início) como as coisas funcionam e porquê elas foram programadas para funcionar de um jeito e não de outro.

Aprender linguagens de programação e ser capaz de escrever códigos é extremamente importante para que possamos parar de atribuir certas coisas à mágica do mundo dos binários e da fibra ótica. É entender como o Google “adivinha” as coisas que você gosta, como que o Twitter transforma hashtags em ferramentas de busca e por que você consegue editar texto dentro do Google Docs.

Além disso, existe uma enorme demanda por pessoas que consigam ir um pouco além do arroz com feijão que não vai embora tão cedo. Desenvolvedores de tecnologia são os profissionais mais requisitados do mercado de trabalho mundial, tendo uma demanda duas vezes maior que qualquer outro emprego. E essa demanda existe justamente pelo fato de que tem pouca gente disposta a se alfabetizar nessas linguagens.

Inserir esse tipo de aprendizado na formação de uma pessoa a fará muito menos dependente de diversos serviços, utilitários e outras pessoas do que alguém que não vê aplicação para esse tipo de conhecimento. Entender as entranhas desse mundo tecnológico é saber como e porquê mídias digitais mudam a gente e os outros, é saber articular e manipular essas mudanças para uso pessoal e profissional no dia-a-dia.

Aprender linguagens de programação não apenas deve ser, mas será tão importante quanto se alfabetizar na sua língua nativa, ou na história do seu país. As pessoas precisam “apenas” descobrir isso, mas como vivemos em uma realidade na qual a qualidade do nosso ensino fundamental ainda faz com que boa parte dos estudantes brasileiros saiam da escola como analfabetos funcionais, por algum tempo ainda ficaremos na teoria, na ideia muito boa.

Mas se você se empolgou com esse texto e está pensando em começar a aprender novas habilidades mas não sabe como, existem alguns startups como o Codeacademy, Code Year, Khan Academy, Alice (indicado para crianças), Bloc e Coderacer que possibilitam acesso à informação de maneira didática e prática, e o melhor de tudo: de graça.

Então, que tal começar hoje?

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Para ver o infográfico que ilustra esse post, acesse esse link.

5 comentários

  1. Inspirado em DOUGLAS RUSHKOFF?

    1. Sim, Diogo! O Program or Be Programmed é uma super influência nos estudos novas mídias! :)

  2. bacana, tbm acho q programação teria que começar a fazer parte da educação básica. se pensarmos, por exemplo, em porque é preciso aprender matemática e física, notamos q tais disciplinas nos proporcionam um maior entendimento sobre as ‘regras’ que fariam a realidade ser como é. a física explica o que está subjacente aos fenômenos observáveis no mundo físico. um conhecimento de programação serve também para explicar o que está subjacente aos fenômenos observáveis no mundo virtual. assim como é importante saber por que objetos caem, assim também é importante saber por que janelas são abertas ao clicarmos em um link, por exemplo. nice post!

  3. eu acho que alfabetização tinha que começar a fazer parte da educação básica no Brasil. :P

  4. Ana, muito bom o seu texto. Parece que a turma na Estônia já percebeu a importância de se aprender a programa. Vide essa notícia na Folha

    http://blogdetec.blogfolha.uol.com.br/2012/09/07/escolas-estonianas-incluem-programacao-no-curriculo-do-ensino-fundamental/

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