Hacking Much?

Um hacker brasileiro, alegando ser uma espécie de diretor de segurança (sic) para o Anonymous acabou de detonar o GoDaddy.com

Para quem não sabe, o GoDaddy é um dos maiores servidores online da internet. O pirata em questão alegou que derrubou a página, pelo que consegui entender, pois queria testar a segurança do servidor -e, lacônicamente, indicou ter outras razões que “não podia mencionar”.

A questão dos hacks ou das derrubadas de páginas na internet sempre me faz pensar sobre o Quixotismo inerente à idéia de ativismo online. Acho que o Randall Munroe tava certo aqui:

Quer dizer, o que esse tipo de atitude realmente consegue? Primeiro, consegue causar algum tipo de distúrbio alguns milhares de pessoas que não tem nada a ver com qualquer tipo de agenda política ou sequer estão conscientes de quaisquer problemas na administração do GoDaddy.com – ainda assim, tem quem insiste em ver os caras do Anonymous como heróis.

Eu, particularmente, acho que isso é o vandalismo velho de guerra. Em um sentido, pensem no grafite, vandalismo pode ser elevado até o lugar de arte urbana ou coisa parecida – e tem que ser meio tosco para não reconhecer o nível de primor técnico que envolve derrubar TODOS OS SERVIDORES de um elefante do tamanho do GoDaddy. Então, será que devemos reconhecer o que o pirata brasileiro fez ao derrubar milhares de sites para provar um ponto como uma forma de exercício de liberdade individual – que, no fim das contas, prejudicou pouca gente?

Claro que não. Até porque ao derrubar o servidor, o nosso compatriota acabou derrubando uma série de pequenos negócios que fazem seu ganha-pão na internet. E aí? É um pouco diferente de um ataque localizado e temporário no sáite da CIA, por exemplo.

Isso tudo pressupõe que o sujeito tem alguma motivação para fazer o que fez. Parece-me, no entanto, que a motivação é fundamentalmente “estou entediado, vou ver se consigo derrubar um servidor enorme” – algo como, “estou entediado, vou ali fazer um grafite do Bob Marley no muro da esquina”.

Talvez isso seja uma generalização das pretensões, tanto dos grafiteiros quanto dos “ativistas online” que derrubam sites do poder opressor. A elevação do grafite ao status de “arte urbana”, que muitos insistem (e, admito, com bons motivos), também pode ser algo que alguns piratas pretendem imitar com esse tipo de atitude. Digamos, o camarada que derruba o GoDaddy está para o Bansky, assim como eu, que derrubava o servidor da biblioteca da minha escola escrevendo código em basic no autoexec.bat enquanto o bibliotecário olhava para o outro lado, estou para o camarada que faz o grafite do Bobi Maulei no muro da padaria da esquina.

5 comentários

  1. Hmmmm, é uma relação estranha. Justamente por serem anônimos e muitos, fica complicado de definir se todas as ações foram decididas em conjunto, ainda que existam algumas atitudes típicas, em geral atacando empresas apoiadoras do SOPA e políticos. Sim, deve ter o lado divertido de fazer isso, mas não acho que os alvos atacados sejam tão bonzinhos quanto o tio da biblioteca. Se eles tão certos ou não, não cabe a mim julgar, mas como usuária do GoDaddy.com posso afirmar: os preços são beeeeem salgados.

  2. Eu só acho que no fim das contas é uma coisa meio “tô de saco cheio, será que consigo fazer isso?”
    Dae, se depois tu vai meter uma razão mais ou menos NOBRE para ter derrubado o sáite é outra discussão. Assim como tu pode fazer um belo grafite numa parede alheia – mas ainda assim, é uma parede alheia, saca? Ah, mas tem função social, ou é difícil pácas fazer, tem uma técnica, PLAH.

    Sim, não é a tua parede.
    Não é o teu servidor.

    Saca? :)

    1. Sim, eu entendo essa perspectiva, por isso nem tento dizer se é válido ou não como movimento. Mas eu acho legal ver que essas megaempresas, apesar de parecerem invencíveis, são tão frágeis quanto qualquer outra no que tange o virtual. Mas aí entram uma série de questões de ordem econômica e jurídica que eu realmente não manjo, mas mais ou menos quis explicar o SENTIMENTO (heh) de quem apóia esse tipo de ação.

  3. legal teu questionamento, fabricio. pelo q entendi, tu questiona a motivação q o indivíduo tem pra fazer um hack, um exploit, DDos attack ou qualquer coisa similar. eu acho q sim, q a emoção e o desafio particular do carinha está realmente em primeiro lugar (na cognição dele). por outro lado, é interessante que este tipo de desafio e adrenalina leva a atos que seriam “justificados” por motivação política, ativista, etc. o legal é q muitos roubos de informação, por exemplo, são relevantes para uma determinada comunidade de indivíduos (como no caso dos syria files). mas claro, está longe de ser certo dizer que hackers e hacktivistas estão sempre fazendo algo importante para a democracia, a igualdade ou whatever. tem um endeusamento muito palha por parte de alguns jovens ‘revolucionários’ nas redes sociais e blogs. este livro é bacana pra quem se interessa pelo assuntos. (não li todo ele, though)

  4. olha, eu sou um pouco cético das reais implicações desses hacks. Claro, tu sempre pode pegar um exemplo absurdo, feito o pessoal do Wikileaks, que conseguiu muito material via hack. Mas, também não dá para esquecer que o grosso do material foi via fontes dentro de locais, que tinham acesso a informação sensível e deliberadamente vazaram.

    Fora o exemplo do wiki, acho que grande parte é realmente uma coisa mais “ah, VOU VER SE DÁ”. Mais ou menos como o camarada que consegue fazer um grafite no décimo andar de um prédio gradeado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: