Feminismos

 Através do twitter me deparei com um blog em que a escritora (Aline Valek) levanta a questão das feministas serem consideradas chatas por quererem que as mulheres sejam tratadas como seres humanos. Ela escreve que a acusação que fazem às feministas não permeia outros grupos que tentam “mostrar a maneira certa das mulheres se portarem”.

Concordo com ela. Entretanto, uma coisa me intrigou no texto: a ideia de que feministas são todas iguais e pensam homogeneamente.

Não, feministas não são iguais. Algumas pertencem a grupos diferentes. Algumas nem grupo têm. Algumas “facções” (em alguns casos, é isso mesmo) querem ditar regras de comportamento às mulheres, de todas as formas. Desse jeito, se você é muito feminina (e sabemos que o conceito de feminino e masculino são construções e tal) estaria se rendendo ao que o patriarcado demanda. Para outras, se você não é feminina, está cooperando com a ideia de que feministas são “um bando de sapatão”. Se assexuar pode? Também não? Existem ainda aquelas que possuem um preconceito enorme contra os homens, fazendo sua ideologia se tornar o outro lado da moeda do machismo.

Então devemos deixar de seguir uma cartilha por outra? Ainda que uma acabe sendo tão dura quanto a primeira? As imposições do feminismo não se tornam tão penosas como as do patriarcado?
Como feminista, tive (e ainda tenho) muitas dúvidas sobre como ser, pensar e o que fazer a respeito de inúmeros assuntos relacionados à uma postura crítica para com as relações de gênero. Mas cada vez mais tenho acreditado que o principal aspecto do feminismo é não perder o propósito de que devemos lutar para que as mulheres sejam tratadas como seres humanos, inclusive por elas próprias.

6 comentários

  1. Luis Rosa · · Responder

    carla, não concordas q tanto o machismo quanto o feminismo exacerbado são formas exageradas d sexismo? quero dizer, é quase como se as feministas radicais caíssem num erro similar aos que são machistas desde os tempos primórdios. porém parece haver duas coisas diferentes: (i) a questão dos direitos de um determinado gênero, que no caso do sexismo existe uma exigência de privilégio/diferença nestes direiros, e (ii) a questão da diferença real entre os gêneros a nível biológico – somos de fato diferentes, trabalhamos com diferentes hormônios, temos diferença quanto ao tipo de atividade cognitiva padrão, etc.

  2. Acho que tá faltando é uma palavra pra diferenciar esses níveis todos de feminismo.

  3. Eu acho estranho, talvez até um pouco contra-intuitivo, falar de sexismo e feminismo. Vou tentar explicar. Eu entendo que existem linhas, particularmente no que a gente chama de cultural studies ou mesmo no pós-modernismo, que entram em um oba-oba de linguagem Queer e coisas afim. Mas ainda assim, por mais que eu procure, eu nunca encontrei na vida real esta fantasia da feminista man-hater que acha que a mulher está numa posição superior ao homem. O contrário eu já encontrei bastante.

    Então, claro, existem diferentes tipos de “feminismo” ou, se vocês preferem, de formas que mulheres diferentes compreendem a própria feminilidade. Mas acho significativo que mulheres que tentam ser levadas a sério são muitas vezes chamadas de chatas por outras mulheres. Acho particularmente significativo ver mulheres (como ja vi) dizendo que feministas atrapalham em ACHAR HOMEM e coisas afim. Aquela coisa MEIO NA BRINCADEIRA, mas que tu pressiona e ve que nao tem brincadeira alguma.

    Enfim, tambem tenho pouca ou nenhuma simpatia pelo papo da “linguagem da mulher” ou coisa parecida. Mas acho importante falar de igualdade de pagamento para o mesmo trabalho, igualdade de condições nas relações institucionais em geral, e coisas afim. E também acho importante poder fazer um curso de filosofia sem ter que ouvir professor falando que mulher não consegue ser filósofa porque não tem o TIPO DE EGO NECESSÁRIO.

    (e quem estudou comigo sabe de quem estou falando)

  4. Nathalia Monteiro · · Responder

    Sem dúvida, há mais de uma vertente de feminismo por aí. A meu ver, e talvez no meu viés de feminismo, o que as mulheres precisam (e muitas querem) é ser tratadas com o mesmo “respeito” dispensado aos homens. Como o Fabrício disse, há que haver igualdade de tratamento em situações onde homens e mulheres exercem a mesma função. Porém, a mulherada feminista vive um certo paradoxo: gentilezas do sexo oposto são apreciadas, e muito! Logo, quando peço o mesmo respeito dispensado aos homens, nao significa que eu quero/consigo carregar peso tal qual (argumento que muitas vezes tive que ouvir). Como mencionou o Luís, há uma diferença biológica entre os gêneros. Bem, na minha vertente de feminismo, cavalheirismo não é palavrão.

  5. Não sou muito de comentar por aqui, mas aí vai:

    Fabrício, em tempos imemoriais participei de algumas reuniões do Coletivo de Mulheres da UFRGS (principal grupo ditamente feminista da entidade, ou pelo menos o que faz mais barulho). Pois bem, notei que existiam alguns outros homens na reunião, mas nenhum deles tinha direito de FALAR durante elas. Não só isso, quando alguns assuntos de agenda foram colocados em votação, descobri que os homens não tinham direito a voto.

    Acho que existe uma linha, digamos assim, neopetencostal do feminismo. A analogia não é acidental, acredito que (além de mil outras coisas, claro) existe uma carência de identidade de grupo por parte destas pessoas que faz com que tomem atitudes exacerbadas (e às vezes até caricatas) para se firmarem ante suas iguais.

    Fico com a impressão que muitos grupos que pregam uma igualdade de direitos e deveres não criticam uma diretriz da sociedade, mas tentam se tornar a antítese dela. Pô, isso por si só não é reforçar esse próprio modelo? Que tipo de abrangência se busca quando continua se pensando as coisas nesse sistema binário? Ou quando se usa “choque e pavor” para tentar NORMALIZAR algo (como união homoafetiva, liberdade de vestuário feminino, e até andar de bicicleta)?

  6. O uso do rótulo feminista (e suas diversas vertentes) reinforça os julgamentos enviesados por causa do gênero. E não há problemas nisso de uma forma absoluta, mas quem vai atrás de direitos iguais por esse mecanismo dá um tiro no pé. Aqui na UnB mesmo tem o “centro de convivência negra” (se for de outra cor não entra ou só não “convive”? – vou lá perguntar).

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