Digno de nota, II

Bom, seguindo a Tatiana, que publicou o nosso primeiro digno de nota semana passada, tomo conta da bodega hoje. Para quem perdeu semana passada, a idéia é dar um panorama do que a gente (ou pelo menos eu) aqui no Distropia achou interessante durante a semana.

A melhor notícia da semana é que a Amazon vai mesmo montar um escritório no Brasil. Agora é torcer para que eles reproduzam as promoções e iniciativas que eles oferecem nos Estados Unidos para o mercado brasileiro.

A abordagem totalmente digital permitirá que a Amazon minimize os riscos que uma estreia de maiores proporções implicaria num país com problemas notórios de infraestrutura e um sistema tributário complexo e custoso. A empresa ainda terá de enfrentar uma desaceleração do crescimento econômico do Brasil que ameaça arrefecer o consumo.

Ah. Bom, melhor que nada, né?

O apocalipse continua em plena aceleração enquanto a costa Leste dos Estados Unidos percebe um aumento do nível do Oceano. Indícios como o aumento da salinidade, degelo nas calotas polares e temperatura da  agua parecem apontar para a irreversibilidade do processo, o que está motivando uma série de medidas para os investimentos imobiliários na região litorânea do Leste Norte-Americano. Mais detalhes no artigo da Nature, parte de um volume inteiro sobre mudança climática.

O Deputado João Campos decidiu apresentar um projeto para a “cura do homossexualismo”. Com a palavra, o nobre Deputado:

– Desde que o homossexual queira, é completamente possível. Depende da vontade dele de querer voltar. Conheço um ex-gay que já participou de concursos de gay mais bonito e hoje está casado e tem filhos em Goiás. Criou uma associação para dar suporte psicológico a ex-gays.

Conhece bem, né deputado? Inclusive, faz acompanhamento com o menino prá se certificar que tá tudo bem.

A Irmandade Muçulmana ganha as eleições no Egito, provando mais uma vez que Kant tinha razão quando escreveu que revolução, via de regra, é uma idéia idiota. Mas, tá tudo bem. Parece que a vice, indicada pela Brotherhood, é uma honesta senhora católica.  Por enquanto, o Morsi tá tentando fazer o papel do bom-conservador:

“The role of women in Egyptian society is clear,” Morsi told Amanpour through a translator. “Women’s rights are equal to men. Women have complete rights, just like men. There shouldn’t be any kind of distinction between Egyptians except that is based on the constitution and the law.”

When asked if he could guarantee that he would retain the law that makes it a crime to sexually abuse women, Morsi said, “It will be impossible to allow this kind of abuse in the shadow of a constitutional state, a lawful state, a state that protects the dignity of a person.”

To drive home his point, Morsi briefly switched from speaking in Arabic to speaking to English: “They are all my sisters, my daughters, my wife, and my mother. They are all Egyptians. There are no differences whatsoever among the people of Egypt.”

Creio que dar uma lida na matéria da Mona Eltahawy, na Foreign Policy, é de bom tom para ter um pouco mais de perspectiva com as práticas (para além do serviço de RP) da Brotherhood com relação ao papel da mulher na sociedade.

And we’re in the middle of a revolution in Egypt! It’s a revolution in which women have died, been beaten, shot at, and sexually assaulted fighting alongside men to rid our country of that uppercase Patriarch — Mubarak — yet so many lowercase patriarchs still oppress us. The Muslim Brotherhood, with almost half the total seats in our new revolutionary parliament, does not believe women (or Christians for that matter) can be president. The woman who heads the “women’s committee” of the Brotherhood’s political party said recently that women should not march or protest because it’s more “dignified” to let their husbands and brothers demonstrate for them.

Mas vice-presidente pode. Mas quietinha. E nada de comportamento indigno hein?

Eu era daqueles guris que sonhava em crescer para ser ciborgue.  Em homenagem ao novo projeto da Google, os nerds do The Verge fizeram este fantástico apanhado de projetos para computadores “internos” ou que podem ser vestidos. Vale dar uma lida, também para ter uma idéia do que a Google tá planejando.

A Economist também meteu o bedelho na discussão:

Google’s glasses reflect a growing interest in wearable computing, which many experts think could be the next big thing in personal technology after smartphones and tablets. But some tech veterans give warning that designing novel devices people feel comfortable wearing is an especially tricky task. “In general, the first attempt at producing new computing paradigms rarely sticks,” notes Sumeet Jain of CMEA Capital, a venture-capital firm.

If Google’s glasses are to prove an exception to that rule, the firm will have to meet several challenges. One is to refine their design so that wearers don’t look like nerds from a laboratory. Another is to assuage inevitable concerns around privacy that the glasses will raise. The firm will also need to reassure people their eyeballs won’t be blitzed with advertising, which is Google’s preferred way to mint money. Mr Brin stresses the aim is to make a profit on the glasses themselves, whose mass-market price will be well below the $1,500 developers are paying for a pair. That should make them worth a close look.

Não sei vocês, mas estou curioso.

O vídeo mais importante que vocês vão ver no mês (música de suspense):

A CURA CIENTÍFICA PARA A RESSACA

Mais detalhes na Brainpickings. Importante material para o Sábado.

Matéria velha, mas que voltou para a front page da New Yorker e que vale ser lida. Paul Higgins  e a “Igreja” da Cientologia. A matéria é longa (quase 30 páginas), mas é leitura obrigatória para qualquer pessoa com interesse em saber como funcionam cultos e como eles operam na vida das pessoas.

Ainda sobre “religião”, a nova legislação alemã proibindo circuncisão religiosa – ou em ritos religiosos, já começou a causar polêmica – e conseguiu o milagre de fazer Muçulmanos e Judeus gritarem ao mesmo tempo contra a mesma coisa e pelo mesmo motivos. Acho que a última vez que isso aconteceu foi quando o Espinosa escreveu a Ética.

Quer escapar da ONU? Fácil. Usa uma bandeira de TUVALU. Ao menos foi a solução que o Irã encontrou para furar o embargo da ONU: colocou bandeira de Tuvalu nos navios e o-de-lay! Fidel Castro nem para pensar nestas coisas para importar geladeira…

Em outras notícias de gente  querendo achar buraco na lei, Francisco Carrion, ex-ministro de Politica Externa no Equador defendeu a abertura das portas para o diretor da Wikileaks e vilão de filme do James Bond, Julian Assange, que está escondido dentro da embaixada Equatoriana em Londres, esperando a decisão do governo Equatoriano – enquanto a Inglaterra e os Estados Unidos pressionam para a entrega do fugitivo. Moral da história: não conte segredos de Estado.

Mais um número cortesia da Guerra ao Tráfico na América Central: aumento dos números de casos de HIV.

These tactics have been shown to be ineffective not only for controlling drug use, but also for reining in the spread of HIV. Why? Because the fear of recrimination prevents drug users from seeking clean needles — a major risk factor for HIV infection. In the U.S. as well, areas with the highest infection rates are those that have the most aggressive drug policies, the report shows. The solution is straightforward, if drastic; it requires a complete overhaul of current drug policy: drug users need treatment, not imprisonment, and drug possession needs to be decriminalized, the authors argue.

Uma história de sucesso, a história do combate as drogas desde que Nixon apertou a mão do Elvis.

Na esquerda, o rei do Rock. Na direita, Elvis Presley.

A Rio+20 foi um fracasso retumbante, e agora?

So if tackling environmental problems globally seems impossible for now, what should we be doing? For one thing, Lomborg thinks, we should take some of the attention and money that goes to fight climate change and instead put it towards environmental threats that are killing people right now: namely, the lack of clean water and sanitation, as well as ordinary air pollution. Nearly a million people die annually due to outdoor air pollution from sources like coal-fired power plants and traffic fumes, while as many as 2 million people—nearly all in the developing world—die from indoor air pollution that mostly comes from cooking and heating in poorly ventilated huts. “We need to focus on those practical problems,” Lomborg told me in a recent interview. “That’s where a difference can be made now.”

Dica rápida: o pessoal não curte muito esse lance de ver as coisas em perspectiva, viu? Se não for lance tudo-ou-nada não vai ter marcha de gente pelada e, portanto, terá sido um lance centrista, negociante e cagoteante. Bom é em abstrato e revolucionário. Daí sim.

Falando nisso, o que tá acontecendo com esse bando de guri mimado? Mais uma matéria da New Yorker, dessa vez comparando a infância na América do Norte com a infância em lugares onde crianças não mandam nos pais.

The notion that we may be raising a generation of kids who can’t, or at least won’t, tie their own shoes has given rise to a new genre of parenting books. Their titles tend to be either dolorous (“The Price of Privilege”) or downright hostile (“The Narcissism Epidemic,” “Mean Moms Rule,” “A Nation of Wimps”). The books are less how-to guides than how-not-to’s: how not to give in to your toddler, how not to intervene whenever your teen-ager looks bored, how not to spend two hundred thousand dollars on tuition only to find your twenty-something graduate back at home, drinking all your beer.

Já vi criança batendo nos pais nos restaurantes aqui.  Acho que dá para começar a discussão por aí. Outra boa alternativa: parem com o IMPERATIVO DO FILHO. Nunca vi coisa igual. País bizarro.

Finalmente, o grande “progresso político” do ano nos Estados Unidos, e o ponto no qual a próxima eleição vai gravitar: a Suprema Corte declarou a constitucionalidade do plano de saúde proposto por Obama. Agora as cartas estão na mesa sobre o futuro da saúde pública norte-americana:

Tens of millions of Americans don’t have access to basic care for prevention and treatment of illness. For decades, there’s been wide support for universal health care. Finally, with the passage of Obamacare, two years ago, we did something about it. The law would provide coverage to people like those my friends told me about, either through its expansion of Medicaid eligibility or through subsidized private insurance. Yet the country has remained convulsed by battles over whether we should implement this plan—or any particular plan. Now that the Supreme Court has largely upheld Obamacare, it’s tempting to imagine that the battles will subside. There’s reason to think that they won’t.

Mais aqui.

Ou, versão resumida:

É isso aí, acho que chega para o final de semana.

Semana que vem o Marcos fica encarregado de dar um panorama para vocês.

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