Aquecimento global, evidência e interesses

É recorrente a seguinte situação: existe um corpo de evidências que dá suporte epistêmico para uma determinada tese, e então um conjunto de interesses incompatíveis com aquela tese faz com que se apresente argumentos contra esta relação de suporte. Não iríamos tão longe a ponto de afirmar que interesses criam evidências – mas parece evidente que interesses chamam o olhar para um tipo específico de evidência: aquela que dá sustentação para a tese que estamos interessados em utilizar. Também parece ser uma prática disseminada ignorar a evidência que dá suporte para teses que são contrárias àquelas que estamos interessados em defender.

Em suma, não é novidade que seres humanos não são agentes puramente epistêmicos, com uma racionalidade límpida e inviolável que visa unicamente a verdade. No entanto, creio ser razoável ter aversão a uma atitude cômoda e conivente diante de tais hábitos: “É assim que nós somos, é assim que as coisas funcionam… Não adianta ficarmos idealizando este respeito pela evidência e pelas razões objetivas. O interesse e o poder são os guias mestres da vida humana…”. Exemplo paradigmático em que não exitamos em caracterizar esta atitude como nociva está em casos de tribunais em que o advogado procura absolver o réu no matter what – se ele realmente roubou dinheiro do estado, se ele realmente estuprou a sua filha, se ele realmente vendia drogas, etc. O que realmente aconteceu não deveria importar – o que importa é quem convence quem, de acordo com interesses.

Se temos aversão a este tipo de posição, então por que estaríamos nos opondo somente a um tipo específico de casos? Não deveríamos então levar a nossa preocupação pelo respeito às evidências e pela não-distorção das razões e argumentos para todos os âmbitos da esfera pública? Não estaria de acordo com nossas preocupações tentar evitar absolutamente os vícios que contaminam a nossa racionalidade? O exemplo que quero trazer aqui neste post está na discussão contemporânea sobre o aquecimento global.

Sabemos que há uma série de cientistas alertando-nos sobre os gases do efeito estufa e sobre as consequências da “otimização” deste efeito (veja aqui acerca do consenso sobre mudança de clima terrestre). O termo “aquecimento global” é utilizado para referir a uma das alegadas consequências do aumento no efeito estufa (que é um fenômeno natural, necessário para os organismos vivos do nosso planeta).

Imagem obtida da United States Environmental Protection Agency

Vejamos: aumento no efeito estufa ocorre em detrimento de uma determinada categoria de gases (por exemplo, CO2 e CH4) liberados por meio de combustíveis fósseis e da concentração destes gases na atmosfera – concentração esta também determinada pelo desmatamento. Um aumento de temperatura na atmosfera e nos oceanos do planeta Terra seria então desencadeada a partir desta concentração de gases do efeito estufa. As evidências estariam indicando que este aumento de temperatura média ocorre desde o início do século XX, e que ele estaria ainda em processo de causação. Em suma, a alegada cadeia causal seria, grosso modo, a seguinte (em que as flechas simbolizam relação de causação):

[liberação de gases do efeito estufa + desmatamento] -> aumento do efeito estufa -> aquecimento global

Duas questões centrais podem ser colocadas dentro deste esquema de relações causais: (1) a questão de se o segundo elo do esquema é realmente causado pelo primeiro elo; (2) a questão sobre o que se segue causalmente do último elo, conectada a questões normativas sobre o que podemos e devemos fazer em relação a esta cadeia causal. A questão em (1) é certamente relevante para a questão em (2). O conhecimento de um elo causal pode servir de evidência para teses sobre outros elos causais, como também abrir a possibilidade de propiciar predições mais acuradas – o que otimiza tomadas de decisão racionais quanto ao futuro.

No entanto, há céticos se contrapondo ao veredicto quase unânime de climatologistas sobre esta cadeia causal e, consequentemente, sobre o que podemos ou devemos fazer quanto a isso (acesse o site do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change). Sem ter acesso a qualquer das evidências elencadas pelos cientistas que se ocupam da questão e usando mera reflexão, você acha plausível dizer que o comportamento e as práticas humanas não têm papel causal quanto a condição climática da superfície terrestre? Não lhe parece plausível que, uma vez que há um sistema natural cuja estabilidade é determinada por uma série de variáveis, é possível abalar esta estabilidade por meio da modificação de uma destas variáveis? Se você tende a responder estas perguntas positivamente, estamos de acordo. O problema agora é confrontar as evidências que suportam esta posição com as alegadas contra-evidências dos céticos quanto ao aquecimento global.

Para uma primeira avaliação, é pertinente analisar a contraposição entre “mitos” e “fatos” sobre global warming (veja aqui). Se tivermos a possibilidade de elencar justificadamente o que é manifestamente falso ou falacioso sobre o assunto, temos aí o ônus da prova contra um tipo muito específico de cético: aquele que implementa e expressa a dúvida não por razões epistêmicas, mas por interesses partidários, institucionais, governamentais, pessoais, etc. Ceticismo epistêmico parece ser saudável e produtivo para qualquer ciência – mas certamente um ceticismo com vistas estritamente a fins práticos não é saudável quando viciado por interesses.

(veja este post como uma ponderação de racionalidade epistêmica sobre o tratamento das questões envolvidas no tópico do global warming)

24 comentários

  1. “veja este post como uma ponderação de racionalidade epistêmica sobre o tratamento das questões envolvidas no tópico do global warming”

    Sempre importante. Para ajudar (ou bagunçar), segue abaixo um pouco de irracionalidade científica apontada pelo “líder” do pessoal que, no Braziu, questiona o aquecimento global, o físico e meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion (Ufal).

    O Jornal da Band, durante a semana da Rio+20, fez uma série de matérias diárias sobre os “céticos do clima” chamada “Aquecimento global, uma dúvida conveniente” (para bulir com documentário do Al Gore, o “Uma Verdade Inconveniente”). O Molion é o principal entrevistado. Tá na íntegra aqui:

    http://www.band.com.br/jornaldaband/series.asp?s=serie_aquecimento

    A desgraça, portanto, é que neste caso (mas também em vários outros), antes que nós, os coitados dos filósofos, possamos opinar sobre o assunto, é preciso que os cientistas entrem em acordo mínimo entre eles – ou, na pior da hipóteses, se se levar o Molion a sério, parem de mentir.

    ***

    “Folha de S. Paulo

    São Paulo, quarta-feira, 27 de junho de 2012

    ENTREVISTA – LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION

    Terrorismo sobre o clima é ameaça à soberania nacional

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/51175-terrorismo-sobre-o-clima-e-ameaca-a-soberania-nacional.shtml

    Para físico cético, ONU usa o debate sobre mudanças climáticas para exercer uma “governança mundial”

    Em carta à presidente Dilma antes da Rio+20, cientistas pediram que governo atente para os problemas nacionais

    SABINE RIGHETTI
    DE SÃO PAULO

    Em meio às preparações para a recepção de 45 mil pessoas para a Rio+20, um grupo de cientistas pediu que a presidente Dilma Rousseff revertesse em saneamento básico o que estava gastando com o aquecimento global.

    De acordo com os 18 pesquisadores que assinaram uma carta enviada à presidência em maio, pouco antes da cúpula da ONU, o aquecimento global não é causado pelo homem. Eles estão no grupo dos “céticos do clima”.

    A Folha conversou com um dos responsáveis pelo documento, o físico e meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

    Há décadas, Molion nada contra a corrente dos pesquisadores que revisam os relatórios do IPCC (o painel do clima da ONU) e que publicam nas principais revistas científicas. São os “aquecimentistas”, como diz Molion. Acompanhe a entrevista.

    Folha – Como o senhor começou a trabalhar para mostrar que aquecimento global não é resultado da ação do homem?
    Luiz Carlos Baldicero Molion – Eu estou nessa desde a década de 1970, quando começaram a falar que o aquecimento do planeta era resultado da queima de combustíveis fósseis. Isso não era verdade. Quando o IPCC lançou seu primeiro relatório [em 1990], nós começamos a comprovar que o aquecimento era causado pelo aumento da atividade solar e pela falta de erupção vulcânica dentre 1912 a 1960 [as erupções reduzem a temperatura da Terra]. Mas, desde então, o terrorismo climático aumentou.

    Os cientistas “céticos” reclamam de dificuldades para obter recursos para pesquisas. O senhor já viveu isso?
    Eu tenho hoje cerca de R$ 3,2 milhões em projetos de pesquisa sobre eventos extremos, monitoramento de vazão de rio e desenvolvimento regional. Mas não posso usar a palavra “aquecimento global”, senão o projeto não é aprovado. Na área de aquecimento global, eu nem me arrisco a tentar publicar os meus trabalhos. Os artigos têm de ser “revestidos” por outras temáticas.

    Mas, se o senhor submeter um artigo científico questionando o aquecimento global pelo homem, ele será negado?
    Sim. A maioria dos pareceristas é a favor do aquecimento global. Então, será negado. Revistas como a “Science” só publicam artigos sobre a ação do homem no clima. Mas se um trabalho em outra área, como o monitoramento de eventos extremos, cair nas mãos de um “aquecimentista”, será aprovado.

    Por que decidiram escrever uma carta para a Dilma?
    Existia na pauta [no documento base] da Rio+20 coisas esdrúxulas como “a temperatura do planeta não pode aumentar mais de 2 graus”. Então nós tivemos a ideia de escrever essa carta. Temos informações de que ela leu e disse “interessante, porém muito tarde”. É uma pessoa que tem acesso a ela, mas não podemos revelar quem é.

    A carta afirma que não é preciso descarbonizar. O que precisaria ser feito então?
    Há registros geológicos ou paleoclimáticos que mostram que quando as plantas surgiram havia uma concentração muito maior de CO2 do que existe agora. Já mostramos que com mais CO2 as plantas aumentam a sua produtividade. Então falar em descarbonização é absolutamente ridículo. Isso não quer dizer que os combustíveis fósseis não tenham problemas. O enxofre que está no carvão mineral e no petróleo é altamente tóxico.

    Mas a crise ambiental trata também da escassez de recursos, como a água…
    O petróleo não vai acabar. Há reservatórios de petróleo como o pré-sal em todo o planeta. Mas extrair será caro. E a água não será um problema do século 21 porque 71% do planeta é formado por água. O que vai acontecer é que, se poluirmos a água, ela ficará mais cara. Mas não vai faltar.

    O que estaria por trás do IPCC?
    Há quem diga que a ideia da ONU é ter uma governança global. Não duvido.

    O que o senhor achou dos resultados da Rio+20?
    Os artigos sobre compromissos, metas e definições foram todos retirados. Ficamos com os parágrafos que repetem as mesmas coisas desde o relatório de Estocolmo, de 1972. Porém, houve coisas interessantes. A tentativa de transformar o Pnuma [programa ambiental da ONU] em uma agência foi vetada. Se passasse, os países perderiam a sua soberania. Se você resolve fazer uma hidrelétrica como Belo Monte, a agência da ONU poderia vetar. Seria um problema sério para os países em desenvolvimento. Mas a ONU não desistirá.”

    ***

    RAIO-X – LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/51177-raio-x-luiz-carlos-baldicero-molion.shtml

    FORMAÇÃO
    Físico pela USP, é doutor em meteorologia pela Universidade de Wisconsin, nos EUA. Hoje é professor da Universidade Federal de Alagoas

    ÁREA DE ATUAÇÃO
    Geociências, com ênfase em dinâmica de clima e mudanças climáticas

    CARREIRA
    É pesquisador aposentado do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia, organização meteorológica mundial

  2. cara, isso é uma loucura. o que tem a ver a questão de a ONU usufruir da questão climática para uma suposta governança mundial? este é um problema completamente diferente daquele presente na pergunta de se o aquecimento global é antropogênico. instrumento retórico da pior qualidade este usado pelo molion, sinceramente. eu posso querer utilizar a tese do panpsiquismo com vistas a dominar a mente das pessoas, e isso não tem qualquer coisa a dizer sobre se o panpsiquismo é uma teoria correta ou coerente. além disso, que cogência para a questão do global warming tem a constatação de que a terra já teve níveis mais altos de CO2??? Compare: queremos saber se foi Amanda quem quebrou o vaso de flores. Mas então, constata-se que há cinco anos atrás foram quebrados 3 vasos de flores, os quais não podem ter sido quebrados por Amanda. Mas o que tem o fato de cinco anos atrás a dizer sobre se, desta vez, foi Amanda quem quebrou o vaso de flores?

    1. Não acho que isso que ele levanta sobre jogo político seja irrelevante, mesmo porque há muita grana envolvida nisso. E onde tem muita grana tem interesse político (e, consequentemente, roubalheira e mentira). Aliás, o “climagate” está aí para provar justamente que tem MUITA mentira e falta de transparência nisso tudo:

      http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/832399-um-ano-depois-climagate-ainda-lanca-sombra-sobre-questao-do-aquecimento.shtml

      O fato é que não tem como pessoas de fora da área dizerem coisas minimamente plausíveis sobre o assunto quando nem os cientistas conseguem decidir:

      1) SE HÁ AQUECIMENTO;
      2) se esse aquecimento é resultado ou não da queima de combustíveis fósseis;
      3) se o aquecimento é resultado do aumento da atividade solar;
      4) se o aquecimento é resultado da falta de erupção vulcânica em determinado período.

      Isso teria que ser feito ANTES de qualquer análise epistêmica sobre o que é dito. Não há como discutir sobre se X implica Z se não se tem a menor ideia da relação entre ambos e mesmo do que sejam X e Z.

      Eu, na minha santa ignorância sobre o assunto, só fico observando o pessoal se matar…

      A tua comparação usando o exemplo fictício da Amanda e dos vasos não funciona justamente porque, no caso do clima, ninguém entra em acordo sobre se a Amanda quebrou ou não algum vaso há 5 anos. Mesmo supondo que ela não tenha quebrado, a conclusão do teu exemplo é justamente o que os “céticos do clima” querem mostrar:

      “Mas o que tem o fato de cinco anos atrás a dizer sobre se, desta vez, foi Amanda quem quebrou o vaso de flores?”

      ou seja… que não haveria relação entre os fatos, o que abre espaço para, por exemplo, ter sido ou a Gorete (atividade solar) ou a Rutinéia (falta de erupção vulcânica) que quebrou o vaso. Ou a Amanda, ou nenhuma das três e, na verdade, não há nenhum vaso quebrado.

  3. Luis Rosa · · Responder

    Walter, acho que está certo dizer que os cientistas não conseguem decidir conclusivamente sobre os pontos 1, 2, 3, 4. também não precisamos esperar que se decida conclusivamente sobre isso, margens para dúvida e hipóteses alternativas sempre são frutíferas nas ciências. porém, não é notado pela mídia em geral que o caso do global warming é uma verdadeira anomalia nas ciências naturais: há uma porcentagem avassaladora de cientistas corroborando a tese antropocêntrica sobre o aquecimento global (consulte as notas 3,4,5 e 6 deste verbete na wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Global_warming ). assim, embora esteja certo dizer que não há uma decisão conclusiva sobre os pontos que tu elencaste, está também certo dizer que uma análise epistêmica seja pertinente, frutífera e esclarecedora sobre o assunto. nada se faz no âmbito da argumentação sem análise epistêmica. no momento que existe alguém apresentando um argumento contra ou a favor alguma tese, uma análise de se o argumento é válido, cogente, correto ou indutivamente forte pode ser feita (é esta análise que permite otimizarmos nossa racionalidade). a irrelevância do jogo político por mim referido diz respeito à questão de se temos razões para crer que aquela cadeia causal referida no post de fato se dá. é claro que se você está interessado em outras questões que não estas, questões como jogos de poder, você não irá ver o que eu apontei como irrelevante como sendo de fato irrelevante (com isso não quero implicar que a única questão relevante é a questão epistêmica, though).
    o exemplo da amanda “não funciona”, no teu ponto de vista, por que tu entendeu errado o exemplo – e talvez isto se dê devido ao fato de que não fui suficientemente claro sobre a analogia. o fato de os vasos quebrarem a cinco anos atrás está pelo fato de haver alta quantidade de CO2 na terra em algum momento do passado, e a questão de se amanda quebrou o vaso no momento atual está pela questão de se o ser humano é parte relevante do processo causal envolvido no aquecimento global.

  4. “e a questão de se amanda quebrou o vaso no momento atual está pela questão de se o ser humano é parte relevante do processo causal envolvido no aquecimento global.”

    Pois é justamente isso que está longe de ser consenso, como próprio Molion diz aí na entrevista acima, dizendo que é positivo ter mais CO2:

    “Há registros geológicos ou paleoclimáticos que mostram que quando as plantas surgiram havia uma concentração muito maior de CO2 do que existe agora. Já mostramos que com mais CO2 as plantas aumentam a sua produtividade. Então falar em descarbonização é absolutamente ridículo.”

    Se tem cientista dizendo que X e outros que não-X (e ambos me parecem usar argumentos científicos, não macumba ou algo semelhante), é preciso antes esperar que eles entrem em acordo (ou que não entrem…).

    Filósofos não têm condições de opinar sobre isso e, antes que os “especialistas” resolvam a questão, não tem como fazer análise epistêmica sobre a questão.

    1. ok, entao quer dizer q um cientista pode usar qualquer tipo de argumento que tudo o que poderemos fazer é assentir com a cabeça? francamente meu caro…

      1. Não, dá para opinar sobre tudo a todo momento. Mas aí se corre o risco de falar besteira sobre o que não se entende, principalmente quando o assunto é tema de controvérsia entre especialistas. Eu procuro evitar, apesar da tendência filosófica de resolver o mundo.

  5. hahaha, e que besteira teria sido dita?
    uma coisa é muito clara: há duas ciências que são básicas a qualquer discussão – lógica e teoria da probabilidade. não interessa se você é um físico, filósofo, climatologista ou qualquer coisa – no momento em que se usa argumento, se usa lógica e/ou probabilidade. assim, independentemente do assunto, uma avaliação destas duas ciências sempre é possível. besteira é pensar que não existe algo de comum entre os argumentos de diferentes especialistas de diferentes áreas: a forma.

    1. A besteira de que há consenso sobre a questão. Não há.

      E não tem como discutir a forma antes de discutir o conteúdo, principalmente quando se está lidando com fatos sobre os quais nem os especialistas estão de acordo. Mesmo porque a questão tem implicações políticas (ou seja, gasto de dinheiro público).

      Na década de 90, 550% dos cientistas estavam prevendo que o planeta derreteria no dia seguinte por causa do buraco na camada de ozônio. Foi esse, aliás, um dos grande temas da ECO92. Agora, ninguém mais fala nisso. Como leigo, simplesmente não sei a razão disso e me limito a achar que ninguém sabe o que está dizendo direito – e não por teoria conspiratória, mas porque a questão envolve milhares de fatores. Só fico me questionando o que uma análise epistêmica ajudaria a desvendar, por exemplo, sobre a questão da camada de ozônio ter sumido dos debates…

      1. Luis Rosa · ·

        cara, é óbvio q não há total consenso sobre a questão. o q as estatísticas apontam é apenas que o caso é um em que substancial maioria dos cientistas estão de acordo sobre a tese antropogênica – os discordantes são uma minoria. e isso de tal modo que se destaca nas comunidades científicas (não é comum uma tese receber uma adesão tão grande de cientistas).
        não faz sentido a postulação do que deve ser discutido “antes” do que (nonsense!). as duas coisas são importantes: forma e conteúdo.

      2. Se eu quero discutir sobre o que é afirmado a respeito de algo (forma), é recomendável que esse algo exista antes (conteúdo).

      3. Bruno Coelho · ·

        Penso ser isto a acontecer no caso do aquecimento global. As previsões são feitas baseadas no paradigma tecnológico atual, desconsiderando possíveis avanços, ou subestimando nossa capacidade de inovar. Assim como era alarmante a situação acerca do buraco na camada de ozônio, é agora acerca do aquecimento global. Entretanto, no último caso, se for uma alteração sazonal, nossa capacidade de influência será de pouca influência, já que é bastante difícil desenvolver projetos de engenharia globais.

        Acredito que atitudes alarmistas desviam a atenção das pessoas para problemas os quais não se tem influência direta. Ainda que admitamos ser a causa do aquecimento global antropogênico, enquanto não for economicamente viável, tanto pessoal como institucionalmente, para empresas e governos, dificilmente se irá ter uma mudança drástica. E para ser economicamente viável, é preciso um esforço coordenado para desenvolver carros, casas e cidades verdes.

      4. Luis Rosa · ·

        concordo. tbm creio q a evolucao cientifica e tecnologica ira trazer novas e melhores solucoes. acho tbm q no precisamos ser dramaticos. talvez uma serie de medidas racionais e economicamente positivas passem a ser tomadas in the long run.

  6. Luis Rosa · · Responder

    exato, leia os papers nos links do post e acharás bastante conteúdo.

    1. Já li. Tem cientistas falando X e cientistas falando não-X e ambos estão usando argumentos técnicos que eu não entendo e, portanto, não posso opinar a respeito.

      Só acho recomendável menos arrogância intelectual – mesmo porque é isso que torna a filosofia ridícula para quem a olha de fora e vê um bando de filósofos dando pitacos a respeito do que não entendem. Só isso.

      1. Luis Rosa · ·

        para saber que eles dão pitaco sobre o que eles não entendem, tu terias que entender aquilo que eles não entendem. e isso você disse que não entende. contradição no seu sistema de crenças meu caro.

      2. Revise o universo. Eles são as pessoas que mais entendem sobre o assunto porque possuem conhecimento técnico na área. Se eles não entram em acordo sobre questões mínimas, não vai ser nenhum filósofo que vai resolver isso, por por “análise epistêmica” nem por argumentos do tipo “eu defendo essa ideia porque gosto”.

        Repito: menos arrogância intelectual, por favor.

  7. Luis Rosa · · Responder

    aonde tu viste algum epistemólogo falando que ia resolver a questão por análise epistêmica?

    1. Vi o teu post e os teus comentários falando coisas sobre algo a respeito do qual você não tem conhecimento técnico para dar pitaco. Está escrito lá:

      “… analisar a contraposição entre “mitos” e “fatos” sobre global warming (veja aqui). Se tivermos a possibilidade de elencar justificadamente o que é manifestamente falso ou falacioso sobre o assunto”.

      Você – nem eu – temos essa possibilidade porque não temos conhecimento técnico para isso.

      Ignorar isso talvez seja o que te leva a achar que é tudo briguinha ideológica:

      “… temos aí o ônus da prova contra um tipo muito específico de cético: aquele que implementa e expressa a dúvida não por razões epistêmicas, mas por interesses partidários, institucionais, governamentais, pessoais, etc.”

      Mostrei um dos caras, no Brasil, que é considerado um cético e usa argumentos científicos para isso.

      Recomendo menos arrogância intelectual (novamente) e mais contato com o mundo (aquilo que existe fora da tua cabeça).

      1. Luis Rosa · ·

        cara, tranquilo. acho q tu está sendo arrogante ao achar q eu sou arrogante e tu não está notando isso. você disse q nao tenho conhecimento tecnico para falar sobre o assunto. eu concordei. nao estou falando sobre o assunto, mas sobre o modo de avaliar o assunto. só q tu não nota q tu nao tem conhecimento tecnico para falar sobre o que eu falo: nao tem conhecimento técnico de epistemologia. segundo teu próprio raciocínio, tu não poderia estar me objetando, pois não deveríamos falar sobre aquilo que não temos conhecimento técnico. tu seria vítima da tua própria crítica. acho q isso é sinal de que tem problemas no teu raciocínio.

  8. Deve ser brilhante esse tipo de conhecimento epistemológico que te permite “elencar justificadamente o que é manifestamente falso ou falacioso” sobre um assunto a respeito do qual se é completamente ignorante.

    Realmente, eu não tenho esse tipo de conhecimento.

      1. Lerei quando tiver tempo. Espero realmente aprender essa arte magnífica de sair por aí podendo “elencar justificadamente o que é manifestamente falso ou falacioso” sobre a cura do câncer, sobre física quântica, sobre o clima etc. sobre tudo a respeito do qual eu não tenho conhecimento algum.

  9. Alexandre · · Responder

    Olá pessoal,

    Acredito que, na medida em que somos leigos sobre a ciência do clima, uma boa fonte para buscar informações seja o trabalho de historiadores da ciência. Segue um link com alguns trabalhos dos principais historiadores da ciência que se ocupam com a ciência do clima.

    http://nsdl.org/sites/classic_articles/GlobalWarming.htm

    um abraço

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: