Enquanto isso em Passárgada…

Enquanto nos empenhamos em viver, o mundo continua em sua rotina frenética.

A letra de uma música ocasiona a prisão de um artista, uma criança no quarto ano do ensino fundamental desconhece as letras do alfabeto, uma menina de dez anos sofre uma tentativa de estupro, traficantes matam a segunda criança em menos de três meses (em uma região do centro de Caxias do Sul), dois adolescentes questionam a ilegalidade de drogas que “nem fazem tão mal sora”.

Esses fatos podem soar sensacionalistas e se fossem descrições exageradas eu estaria aliviada! Na rotina como educadora social, em uma localidade intitulada “vulnerável” devido à carência de assistência social pública, me deparo com esses e outros problemas com uma frequência espantosa.

Enquanto a discussão a cerca da globalização já parece coisa do passado, algumas crianças perguntam, “agente pode falar com alguém de outro país pela internet?” O sistema governamental, falando de uma forma geral, está tomado pela noção de lucro e a qualidade de vida de milhares de pessoas é desconsiderada. As mensagens de protesto são discretamente caladas, assim como a informação é na maioria das vezes deturpada.

A maior parte da população brasileira vive à margem da sociedade e assim é conservada para servir à propósitos da hierarquia capital. Ouso afirmar que algumas ações que parecem ajudar esta parte da população, apenas pretendem acalmar aquelas criaturas cansadas, no fim das contas até o auxílio as vezes serve de dominador.

Utilizando as palavras de George Orwell: “As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era distinguir quem era homem, quem era porco.”

2 comentários

  1. Eu tenho que discordar contigo com o lance da “globalização”. Eu acho que é um termo muito geral, mas pelo que senti do seu comentário, você tá falando sobre a questão de inclusão de tecnologias e maior acesso a meios de comunicação digitais.

    Se for sobre isso, em lugar nenhum essa é uma questão do passado. Inclusão digital é um fator discutido à exaustão, especialmente por estar borbulhando. Meios de comunicação digitais não são tecnologias de larga abrangência, mas estão muito mais baratos e acessíveis do que jamais foram, mas é muito complicado esperar que em 2012 o nível de acesso à Web (levando em consideração que a Internet chegou no Brasil em 94) seja elevado quando nem educação básica é. Mas mesmo assim a América Latina como um todo apresenta níveis super altos de engajamento com novas mídias e tecnologias: http://mashable.com/2012/03/07/multilingual-internet/

    1. Eu concordo com a generalidade do termo. Eu quis me referir a dificuldade de acesso a informação, que acompanha a exclusão e reduz a possibilidade de trocas de conhecimento cultural. O exemplo foi uma tentativa de sinalizar essa dificuldade. Essas crianças vivem em uma bolha na comunidade, os assuntos se restringem aos
      acontecimentos noticiados pela globo e tragédias do bairro. Essa falta de informaçao acaba por gerar um sentimento de que a realidade é isso, fortalecendo o ciclo de vulnerabilidade. Mas concordo contigo sobre a inclusão digital, porém no local em que trabalho de 44 crianças e adolescentes, apenas quatro tem acesso a tecnologia e comunicação digital.

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