Axé Music Philosophy (AMP) Ou: A dança do põe-põe-põe (no compasso do contexto)

Vocês já pararam para pensar como é importante, para a compreensão de conceitos, teses ou questões de filosofia ou de ciência, sempre novos conceitos, teses e questões? Digo, se nós pegássemos apenas uma frase de filosofia, por mais simples que seja, como a famosa “Não há fatos, apenas interpretações”, de Nietzsche, nós conseguiríamos compreender algo de específico? Claro que nós sabemos o que os termos ‘fatos’ e ‘interpretações’ significam na nossa linguagem natural e, talvez, seja um pouco disso mesmo que Nietzsche queira dizer, mas será mesmo? Será que nós progredimos filosoficamente ou cientificamente desse modo (com a interpolação de linguagem filosófica e linguagem natural)? E, seria possível juntar Nietzsche com outros autores, como o neurocientista Nicolelis? “Pô, bicho, que papo burguês; não há fatos, apenas interpretações, segundo as descobertas mais avançadas da neurociência, que mostram que o cérebro é um simulador do nosso eu e do nosso mundo ao redor. Saca só 0 re.la.ti.vis.mo.”. Se nossos ouvidos não começarem a sangrar, nós poderíamos tentar compreender a frase e ver quais conexões teóricas ela realiza. Mas apenas com isso, certamente, nós não temos informações sequer para a compreender em sua especificidade – a não ser, claro, que realizemos sempre uma comparação com a linguagem natural, que é do domínio de todos nós.

Nesse sentido, a minha questão aqui é a seguinte: como nós compreendemos um enunciado filosófico? Ele sempre dependerá de uma teoria para mostrar seus critérios, seus limites, seus objetivos? Sem uma teoria, nós não fazemos filosofia? Ou poderíamos fazer filosofia apenas por aforismos ou curtos textos de impacto? E como lidamos com a questão da não-compreensão de conceitos e teses? A sua explicação leva à formulação de uma teoria? (veja-se, por exemplo, as Lições introdutórias à filosofia analítica da linguagem, do Tugendhat, que, no fundo, pretende explicar como compreendemos uma frase simples, como “o livro está na mesa“).

Enfim, enquanto todos nós pensamos sobre essas questões sérias, eu e o Fabrício criamos uma série de citações que os filósofos poderiam ter feito, se gostassem de música brasileira (a verdadeira)! Axé + Filosofia – Contexto = Diversão! :)

“Aviso, Avisooo, Avisoooooo, que vai rolar a festa/O povo do gueto mandou avisar” (Marx & Engels, 1848)
“Eu sou Adão e você será…/Minha pequena Eva (Eva)./[…]//Meu amor, olha só hoje o sol não apareceu/É o fim da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus,/Fugiremos nós dois na arca de Noé/Olha bem meu amor no final da odisséia terrestre”
(Adorno para Horkheimer, 1947).
‎”Nada mal, sentir o gera samba não é nada mal. Que legal, é só entrar no clima e liberar geral” (Foucault, 1976)
“No tic-tic-tac do meu coraçççããão, renascerá” (Platão, Fedão)
“Co-nhe-ci um capeta em forma de gu-ri” (Schelling, Weltalter III (última parte) 1815).
“Nãnã nãnãnãnã, nãnãnãnãnãnã, dei dont rilli quérr abaut ãs” (Paulo Freire, 1968)
‎”Aiaiai, essa voz doce serena, esse jeito complicado coisa de mulher pequena” (Arendt, 1968)

‎”Cê pensa que cachaça é água? Chachaça nuné água, não” (Nietzsche, abraçado em uma égua, 1889)

“Ticurupaco, kioiô/Eu sou Muzenza, larauê”. (Rawls, 1978)

“Dinheiro, pra quê, dinheiro/Se ela não me dá bola” (Habermas, em debate, 1995)

“Só love, só love, só love, só love, só lov’só lov’sólov’ “(Alcebíades para Sócrates In: Platão, o Banquete, 380a.C.)
“Eu andei errado, eu pisei na bola/Troquei quem mais amava por uma ilusão” (Descartes, 1649)
“Lua vai … iluminar os pensamentos dela” (Jung, The Psychic Nature of Alchemical Work, 1944)
‎”Vai ralando na boquinha da garrafa” (Lacan, 1968)
‎”Essa é a onda, essa é a onda do Carrinho de Mão” (Heidegger, 1938)

10 comentários

  1. (Adorno para Horkheimer, 1947). ksjdhfjkhdkfs.

    “Cê tá pensando que eu sô lóqui, bicho” (Wittgenstein, 1921).

    “Rebola, ordinária. Aaaaai.” (Sartre, 1962).

    “Um abajur cor de carne. Um lençol azul” (Foucault a um aluno, 1970)

    1. marcosfanton · · Responder

      heuheuheuheu

  2. “Sei que as vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?” (Lacan, Seminários, 1970)

    “Palavras são erros. E os erros são seus” (Rorty, 1972)

    “É o bonde dos alemão tocando o terror geral” (Heidegger, 1939, em Freiburg)

  3. “O homem nasce sem maldade em parte nenhuma do corpo. O homem é o lobo do homem; e isso explica a viadagem congênita, e a baitolagem adquirida.”
    (Hobbes, Leviathan, or the Matter, Forme, & Power of a Common-wealth Ecclesiasticall and Civill, 1651)

  4. Uma correção: Na citação “‎”Nada mal, sentir o “gera samba” não é nada mal. Que legal, é só entrar no clima e liberar geral” (Foucault, 1976)”, na verdade o correto seria “Terra Samba”, banda que gravou a música. Portanto, a imagem ao lado também é equivocada. É o Tchan não tem nenhuma relação com a banda citada.

  5. A literalidade da expressão de direitos de autoria indica apenas uma vontade de poder e de afirmação de identidade acima da colocação da criatividade individual e comunitária, tal imposição de padrões estéticos literais (e apenas aparentemente “verdadeiros”, consonantes em jogos de verdade típicos do capitalismo pós-industrial e sem emprego) supõe todo um aparato (dispositif) higiênico e eugênico de uma epistemen tipicamente totalitária e verborrágica. Vejamos no exemplo do quadro “O pequeno literal”, de Cuzin DiPretô, que coloca essa dualidade do autor, que aqui é resistida no comentário do DaMata que sujeita a colocação artística ao seu próprio regime de verdade (totalitário e verborrágico), no quadro do DiPretô vemos na arte uma colocação da resistência a esse modelo (totalitário e verborrágico) no mirar de um autor ausente (e por isso tão presente) e substituído em um jogo DiPretô-NuAnsiô, tal qual um átimo de uma presência-ausente no explendor da linguagem.

    (e por isso atípica e mecanismo tão singelo de peculiar possibiildade revolucionária em um tempo sem própria definição).

  6. Fabrício Pontin, pronto para reeditar e superar Alan Sokal e Jean Bricmont:

    “Em 1996, o físico Alan Sokal conseguiu que um ensaio fosse publicado na Social Text, uma influente revista acadêmica sobre estudos culturais, apontando as profundas similaridades entre a teoria da gravitação quântica e a filosofia pós-moderna. Logo depois, ele revelou que este ensaio era uma parábola brilhante, um catálogo de frases sem sentido, escrito na atual e impenetrável linguagem dos teóricos da pós-modernidade. O acontecimento abriu um furioso debate nos círculos acadêmicos, e foi parar nas primeiras páginas dos principais jornais dos EUA e da Europa.” (http://goo.gl/XdVTV)

  7. Tatiana Vargas Maia · · Responder

    “Fight tha powah tha be!” (Foucault, 1975)

  8. Bora atualizar isso aí com Michel Teló, Luan Santana, Exaltasamba e Cláudhyah Leitthe, pfv.

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