Estado da arte na contemporaneidade: tudo é um remix?

Muita discussão acontece atualmente sobre originalidade, criatividade e apropriação na arte em geral. Os defensores da apropriação da criação alheia costumam citar o Tarantino no cinema, que ‘se baseia’ completamente em filmes B dos anos 70, clássicos trash e road-movies; ou então costumam citar a banda Daft Punk, sobre a qual você não sabe direito dizer qual a porcentagem de músicas originais e qual a porcentagem de remixes e samples. Quero então trazer este vídeo do Everything is a Remix para refletirmos:

Tem a sequência desta série do 1 ao 4 aí no vímeo, e todos os vídeos são muito interessantes. Esta idéia de que tudo é um remix dá muita coisa a que se pensar. Entre elas, listo: (i) remodelação de direitos autorais, adaptados ao período contemporâneo e a mídias contemporâneas; (ii) a limitação criativa na história de uma espécie; (iii) onde exatamente está o valor da arte; (iv) se a originalidade realmente existe; etc.

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6 comentários

  1. Luis, eu sempre me deparo um monte com essas discussões no meu meio, e é um troço que me interessa muito, especialmente pq existem muitas maneiras de entender essa questão da cópia/remix/apropriação/plágio.

    Todo trabalho que eu produzo, seja fotográfico, textual, gráfico ou virtual (sites e peças web-based) são distribuídos em Creative Commons Attribution Share-Alike, especialmente por causa de uma convicção básica que eu tenho de que como todo o meu trabalho é produzido e/ou divulgado de forma digital, cada vez que alguém carrega uma página na Web, na prática (se vc pensar em termos de código), vc tá carregando uma cópia do conteúdo original. E pra mim, essa cópia digital não possui nenhum valor agregado. Como eu já tinha dito em outros posts, vale à pena pensar na questão do que que é que vai valer dinheiro quando o acesso à informação e conteúdo se aproximar de zero, e na minha cabeça são coisas como iminência, personalização, interpretação, autenticidade, acessibilidade, materialização, proteção/auxílio (patronage) e encontrabilidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Encontrabilidade).

    Duas sugestões: http://www.kk.org/books/what-technology-wants.php
    http://ripremix.com/

  2. Ana, eu não cheguei a pensar na nova estrutura econômica relacionada às limitações de acesso ainda. tenho a tendência a pensar q o padrão da dinâmica no movimento free-software poderia ser assumido para outras mídias. em geral, os source-codes de softwares livres têm uma autoria definida, mas o grande lance eh q a apropriação do code pode ser uma transformação dele – a fim de adaptá-lo a necessidades variadas. logo, perde-se a coisa de “isso é meu”. tipo, o pessoal do linux ganha grana de outro modo – não pela venda do produto, mas pela prestação de serviço. não sei como isso ficaria pra midias culturais como música e cinema. a produto do artista, em comparação com a criação, compilação e documentação de um programa, é o próprio álbum ou filme. mas qual o análogo da prestação de serviço, que no caso do software-livre é acessoria, instalação, etc? acho q o mais óbvio seria a apresentação da obra (no caso da música, o show; no caso do filme, a sessão de cinema). a questão é se artistas poderiam sobreviver sem cobrar pelo produto… eu não sei, é uma situação muito confusa!

    1. Então, esse é meu problema principal com o xalalá do Stallman, pq ele tem todo esse papo de pensar nos direitos do consumidor e direitos humanos e tal, e ele tá certo em VÁRIAS coisas, mas pra mim ele perde toda a discussão quando ele se recusa a discutir sistemas econômicos em níveis globais, pq não adianta vc discutir só um pedacinho de toda a questão do desenvolvimento da tecnologia e aplicar isso pra vida, se você ignora que esse pedacinho tá dentro de uma estrutura maior. Então, infelizmente, avanços tecnológicos estão sim muito ligados a investimentos monetários. O que o Free Software Movement faz é ótimo, mas eles nunca conseguiriam criar uma estrutura revolucionária por eles mesmos, pq ninguém vai abrir mão de um produto sensacional só pelo bem da comunidade, o Facebook e o Twitter se comercializaram na primeira oportunidade, por mais que tenham nascido como propostas completamente livres de custo pro usuário (com aquela nossa velha moeda chamada informação pessoal), as versões open-source e free-software dessas redes são uma merda, a verdade é essa, por mais triste que ela seja. :P

      A verdade é bem pessimista, pq no final das contas mesmo que exista um modelo melhor e mais democrático, não adianta substituir a hegemonia de uma estrutura/plataforma por outra. Se algum dia o Facebook cair por terra e o Freedom Box se torna uó do borogodó, no final das contas a gente vai continuar preso numa estrutura, mesmo que ela seja levemente melhor.

      A questão da autoria e do “isso é meu” também é bem complicada, pq meio que na prática isso já existe, pelo menos em terreno virtual, com o lance da Cloud. Que a ideia é exatamente criar COMUNIDADE, onde nada é de ninguém e eu-sou-de-todo-mundo-e-todo-mundo-me-quer-bem, e por mais que existam muitos benefícios nisso, existe o lado negativo, que é que com a autoria, também vai embora a identidade, e a gente não é ninguém, só um monte de zé cedendo informação e recebendo o quê mesmo de volta? E-mail de graça e publicidade personalizada? Ah tá… ;P

      Eu acho que um artista sobreviveria num modelo do FSM com duas coisas: materialização (edições especiais de material em vinil, shows, apresentações especiais, um tipo de experiência que vai além de se ouvir a música) e também cortando o middle-man, o Louis CK fez isso com uma apresentação dele e deu SUPER certo (https://buy.louisck.net/), se você para de comercializar através de produtoras e direto pro teu consumidor, seu preço baixa demais e a probabilidade do seu consumidor se convencer a comprar vai ser maior. Radiohead e Nine Inch Nails também tão aí pra provar isso.

      Enfim, só pra terminar, acho que pode te interessar: http://edge.org/conversation/the-local-global-flip

  3. então, tenho também o pensamento de que o stallman tah meio fora. é claro, não é pouca coisa ter criado o GNU project – o cara eh foda. mas o lance todo está na relação destas novas dinâmicas com a economia, como tu bem colocou. tu deu exemplos de plataformas que eram livres no começo (fbook & twitter), mas q eram uma porcaria no começo, virando úteis, boas e etc só depois de se comercializarem. mas aí que está: acho q é possível comercializar E manter código aberto, saca? tipo, o exemplo mais claro que penso é o Ubuntu, q tem uma versão melhor q a outra (a última é a versão beta 12.04) e está tendo um uso massivo – as pessoas estão achando o sistema bom, intuitivo, sem complicação – a Canonical tah fazendo grana.
    enfim, acho q é preciso muito conhecimento de economia pra propor estas novas dinâmicas, e por isso fico muito limitado pra lançar hipóteses e alternativas – mas certamente é algo q merece ser estudado. a tua observação de q cortar o middle man na musica é algo que aproximas mais a música do modelo FSM me parece correta, e acho q o esquema é por aí mesmo.
    (o livro do jaron lanier “you are not a gadget” tah no meu android esperando pra ser aberto faz uma cara – sabe como eh esta vida de doc. neh?)

  4. O ” You Are Not A Gadget” é bem legal até o meio, o Lanier é um cara bem controverso, né, e ele foi roommate do Stallman, então é bem engraçado pensar no contraste entre os dois. Mas pra mim ele é um dos caras que fala sobre Internet que é mais pé no chão, o Kelly, Shirky, Bilton, são todos otimistas demais, o Lanier não, ele é pessimista até mais que o necessário, mas eu acho que pra lidar com esse tipo de coisa é bom ser assim. O problema do livro é que lá pro final ele viaja com as soluções que ele daria pros problemas que ele levanta, e acaba perdendo o feeling, mas mesmo assim, boa leitura. :)

  5. Reblogged this on rodrigobiasie comentado:
    Muito Interessante esta discussão, vale a pena assistir e ler !

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