O autor e a interpretação de sua obra: sobre a “reconstrução” de Habermas e o materialismo histórico

Um dos problemas mais evidentes no trabalho intelectual é a difícil relação entre autor e interpretação. É posta com frequência a questão sobre em que medida interpretar um texto extrapola a “intencionalidade” do autor, aquilo que na hermenêutica se fala em “estranhamento” entre o autor e seu texto, ou algo próximo do que ocorre na relação entre uma obra de arte e as diferentes – muitas vezes completamente díspares – críticas sobre ela. Se é razoavelmente claro que a interpretação de um texto já exige de antemão um método, essa relação fica mais obscura quando se trata de debater diretamente com o próprio autor. À primeira vista, pode parecer que a interlocução com o trabalho de um autor ainda vivo seja privilegiada. Mas isso pode igualmente revelar seus próprios limites. Foi o caso desta conferência no último fim de semana, onde Habermas discutiu com uma impressionante disposição durante três dias sobre um tema que é, aparentemente, o mais estranho aos seus trabalhos mais recentes (no caso de Habermas, isso quer dizer uns 20 anos): materialismo histórico.
O próprio conjunto da conferência pode ser visto como um interessante caso da diferenciação que Habermas sugere já no início de Para a reconstrução do materialismo histórico: se por “restauração” pode se entender um retorno dogmático a um autor, e por “renascimento” se indica a renovação de uma determinada teoria esquecida, Habermas propõe aquilo que entende por “reconstrução” – uma revisão crítica de uma teoria para tentar melhor alcançar os objetivos por ela inicialmente colocados. A conferência em si pode ser vista nesse sentido de uma “reconstrução” da proposta de Habermas. Nesse caso, isso poderia ser entendido de maneiras distintas: 1. Procurar entender o Marx de Habermas; 2. Discutir como aquele texto pode ser reinserido no seu posterior percurso intelectual; 3. Aplicar de forma mais direta a proposta do texto para o debate atual sobre questões como p. ex. crise do capitalismo e esse recente “revival” de Marx. Da parte de alguns comentadores foi um pouco de tudo isso numa miscelânea que não se entendia mais se o que se fazia era reconstrução, filologia, ou mesmo o que Habermas queria evitar com “restauração” ou “renascimento”, não só no que se refere ao método de interpretação dos textos discutidos, mas mais ainda no debate entre essas interpretações e a própria interlocução com Habermas.
Já no início da conferência o problema da interpretação de uma obra filosófica se impõe no debate sobre Conhecimento e Interesse. Enquanto as interpretações pareciam tirar leite de pedra, tentando encontrar elementos para uma releitura de Marx no âmbito de fil. prática, Habermas revidou esclarecendo que a sua proposta ali tratava de um problema de conhecimento e de caráter fundamentalmente teórico. Aqui já começam os problemas. Em suas réplicas, Habermas insistia na contextualização de sua teoria, dos seus interesses à época, etc. Em um de seus comentários, ele criticou veementemente uma das falas como sendo uma coletânea de citações sem um mínimo de trabalho hermenêutico ou de contextualização. Isso parece fazer todo o sentido. No entanto, a postura de abertura a interpretações, um certo “anacronismo moderado”, pode também mostrar sua proficuidade. Aqui o debate se mostrava uma disputa no mínimo confusa: aquilo que os intérpretes extraiam do texto extrapolava aquilo que Habermas não só tinha em mente à época, como também aquilo que ele vislumbra no conjunto do desenvolvimento de sua obra e de sua perspectiva atual. E isso não quer dizer necessariamente um problema de interpretação. O próprio Habermas reconheceu isso quando dizia, com bom humor, que alguns dos comentadores ali entendiam a sua obra melhor do que ele próprio; e, ainda, que por conta do convite para esse debate ele precisou reler aqueles textos, como o próprio Para a reconstrução…, e que já não lembrava do que havia escrito.
Essa proficuidade da relação interpretação/autor se mostrou em diversas ocasiões, como nas discussões com Agnes Heller, que provocou Habermas com simpatia dizendo que para expressões como “eu necessito de você” não é necessário argumentação, mas sim para respostas como “mas eu não posso satisfazer você”, insistindo ainda na importância do dissenso. Habermas ouve tudo com bastante interesse e entusiasmo e, na sua réplica, categoricamente conclui: “Nós temos um dissenso” – e se abraçam. Ou ainda em torno da impressionante lucidez de Apel, que, com 90 anos, foi quem falou com maior precisão e mostrou um ótimo exemplo de que um texto denso pode ser claro. E aqui mais um resultado de uma boa discussão, quando p. ex. Heller diz que, por ser supérfluo, não precisamos falar em intersubjetividade, e Apel, mais tarde, defende enfaticamente que a intersubjetividade é o maior tema da filosofia e que devemos insistir nele, evidenciando ali um núcleo duro de seu pensamento que permaneceu irretocável durante pelo menos uns 30 anos.
Em três dias de discussão, foi possível ver que uma autorretrospectiva intelectual é também sem dúvida interessante para a contextualização de uma obra e suas influências. Habermas p. ex. lembrou que pela década de 60 qualquer reflexão filosófica para ele deveria se mover entre Kant e Hegel, e que, naquele período, ele acrescentara Marx. Naquele contexto, ele decidira propor uma teoria normativa que pudesse transcender contextos históricos determinados: “foi por isso que o meu Kant se tornou muito forte”(e aqui acho que esse foi o erro de Habermas, em acreditar que uma teoria não só precisaria, como poderia se orientar desse modo; a sua insistência em um projeto europeu “ideal” é só mais um resultado disso). Ele lembrou ainda que os seus interesses na época do doutorado sobre Schelling tinha uma inquietação de fundo teológico, e que, posteriormente, quis abandonar a filosofia e se tornar sociólogo. E conclui, não sem uma certa seriedade: “talvez não tenha dado certo”.
Como Habermas afirmou na conclusão da conferência, ele ali aprendeu muito. Talvez os seus intérpretes podem encontrar e dizer mais sobre os seus textos de juventude do que o próprio Habermas hoje.
Os textos do debate vão ser publicados em breve e será um boa oportunidade não só para se reavaliar possíveis atualidades de escritos de Habermas das décadas de 60 ou 70, mas para pensar a interessante relação entre interpretação e o autor e sua obra. A atualidade de Aristóteles, Hegel, Marx ou Wittgenstein, e o próprio processo de “atualização” desses autores, são sempre um extrapolar de suas obras e mais ainda de sua intencionalidade. Pode ser que em 100 anos seja novamente organizada uma conferência sobre a atualidade dos mesmos textos discutidos nesse último fim de semana. Habermas não estará mais vivo para responder às críticas, e talvez isso seja o que menos importa.

14 comentários

  1. Hey de comentar isso com carinho. Primeiro deixa eu acordar (comentário mais sem sentido da história do Distropia, eu culpo o nescafé)

  2. Oi Filipe
    Recentemente li ‘Verdade e Justificação’ e tinha posto nas minhas anotações que a chave da transição de Habermas talvez seja uma virada de Marx para Kant, ou ainda do materialismo para uma deontologia das boas intenções. Acho bem sintomático que, nesse momento em que o projeto europeu parece ruir com a crise, Habermas volte ao materialismo. Coincidência ou nem tanto.
    Fiz o registro pela tua anotação ali:
    “Naquele contexto, ele decidira propor uma teoria normativa que pudesse transcender contextos históricos determinados: “foi por isso que o meu Kant se tornou muito forte”(e aqui acho que esse foi o erro de Habermas, em acreditar que uma teoria não só precisaria, como poderia se orientar desse modo; a sua insistência em um projeto europeu “ideal” é só mais um resultado disso).”

  3. Arthur Grupillo · · Responder

    Apel propos pensar “com Habermas contra Habermas”. e engraçado, o inverso é um topos frequente nos escritos de Habermas, querer pensar “sem Marx a favor de Marx”, “sem Adorno a favor de Adorno”, etc… você acabou escrevendo um texto sobre interpretação e esperança, talvez sensibilizado pelo clima amistoso de um evento com tantos velhinhos. O abacaxi fica para a gente, os mais novos, descascar. Ah, e obrigado pelo trabalho jornalístico também.

  4. Minha admiração pelo Habermas via de regra sai pouco disfarçada (mesmo quando eu tenho críticas ao vovô simpson).

    Essa questão da herança Marxista é um lance que sempre volta, de uma forma ou de outra. Seja na abordagem da técnica ou mesmo do interesse – e já tem um certo tempo que ele dá indicações desse “retorno”. Uma coisa que a Nancy Fraser me chamou a atenção (não vou te deixar sozinho nos amigos famosos, Filipe :P) é que tem um traço funcionalista na apropriação de Marx e de teoria social pelo Habermas.

    Não dá para negar isso. Ao tentar responder ao funcionalismo nas teorias sociais, o Habermas se tornou um tanto.

    Mas é isso que tu escreve. Em 100 anos ainda vão estar discutindo as implicações da obra desse sujeito.

  5. Valeu, Filipe! Excelente resenha e instigante aperçu desse interessantíssimo encontro e debate filosófico! Em grande parte, o meu interesse pela filosofia social de Habermas se consolidou a partir da leitura do seu texto sobre o materialismo histórico. No meu caso, o meu foco de interesse, além da questão marxiana e marxista (que era o tema central da minha pesquisa para uma dissertação sobre os pressupostos filosóficos da teologia da libertação –em 1983-87 em Aix) era justamente o pacote conceitual implícito nesse termo “reconstrução”. Claro, eu só viria a entender melhor (tanto em termos de minha autocompreensão quanto dos problemas interpretativos envolvidos) o programa habermasiano da reconstrução uns 20 anos mais tarde, depois de ter feito estudos em fenomenologia & hermenêutica e estreitado minhas interlocuções com a filosofia analítica. Agora entendo melhor as pretensões e aportes da guinada pragmático-linguística, iniciada no final dos anos 60, sobretudo depois do seu texto “Conhecimento e Interesse” e de suas réplicas a vários críticos e interlocutores, esp. Apel e Tugendhat. Eu continuo achando que o Habermas assim como o Honneth ainda não saldaram o déficit normativo da teoria crítica, embora eles tenham deixado excelentes pistas na direção do que eu chamo de “déficit fenomenológico”. Já faz mais de 10 anos que estou revendo minhas notas e reflexões sobre esse problema da articulação entre theoria e praxis, e ainda não estou satisfeito com as propostas de justificação normativa –justamente por causa do problema humeano de articular conjunções constantes, que podemos observar em um nível empírico, em termos de conexões necessárias, como o cálculo de pi ou relações de ideias, que parecem certas, racionais e a priori. Eu creio que Husserl e Heidegger motivaram o Habermas a revisitar a contraposição entre modelos racionalistas e empiristas e submetê-la a um programa de pesquisa interdisciplinar reconstrutiva em filosofia social, capaz de destranscendentalizar e resgatar o sentido normativo numa pragmática formal. É isso que estamos revisitando em nosso seminário do PPG (passando pelo “Verdade e Justificação”), agora nos beneficiando tb de aportes naturalistas mitigados, como o do Jesse Prinz, em neurociências e filosofia da mente. Creio que a leitura intersubjetiva que Habermas faz de Hegel é o que nos permite destranscendentalizar uma concepção mentalista de subjetividade (transcendental) em direção a uma reconstrução racional, informada empiricamente, do processo pragmático-comunicativo. Como o próprio Habermas disse, “os interesses cognitivos servem como intermediários entre a gênese natural da humanidade e a lógica do seu desenvolvimento cultural”. O déficit normativo persiste exatamente na falta de clareza em articular seu naturalismo mitigado (que se beneficia de tudo que as ciências podem nos oferecer) com a inovação, ruptura e transformação sociocultural que operamos quando agimos e interagimos como seres livres –seja para dominar, seja para preservar a natureza e a nossa espécie. Mas a intuição habermasiana foi de seguir Chomsky, Dewey, Mead e o pragmatismo americano em seus programas reconstrutivos com um intento hermenêutico-interpretativo –e isso se aplicaria tb a releituras do materialismo e da crítica marxiana ao capitalismo tardio e globalizado. Os links em inglês e alemão da Wikipedia sobre “reconstrução racional” são bem instrutivos, apenas para estimular esse tipo de reflexão:
    http://de.wikipedia.org/wiki/Rationale_Rekonstruktion
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rational_reconstruction
    um forte abraço, nythamar

  6. ótimos comentários. Respondo-os aqui em conjunto. Concordo com Moyses que é sintomático esse interesse de Habermas em discutir novamente o materialismo histórico (mesmo que o “Zur Verfassung Europas” ainda apresente um Habermas bastante kantiano, mas já numa interessante revisão, o que seria tema pra uma outra discussão). Na verdade, na conferência deu pra ver que Habermas estava ali de algum modo repensando suas origens, suas inquietações iniciais que voltam, e acho que não é por acaso suas reflexões mais recentes sobre naturalismo e religião ou, como diz Honneth, que ele esteja se tornando cada vez mais hegeliano. Isso mostra uma interessante “autorreconstrução” intelectual quando se está chegando aos 83 anos. Esse ponto tb se refere à questão do funcionalismo que o Fabrício coloca, e nas discussões lá estava em jogo qual a apropriação que Habermas fez de Marx e com que intuito, o que na verdade (e isso procurei propor no post) é uma questão que, muito antes de ser resolvida, até mesmo (eu diria menos ainda) pelo próprio Habermas, é o que abre para interessantes possibilidades de desenvolvimento de um projeto sempre inacabado. Quanto a Grupillo, como sabemos pelas nossas discussões, sem dúvida tem muita coisa aí, e eu aqui me restringi a expor meio jornalisticamente uma ideia geral da conferência, tb pra compartilhar um pouco o que houve ali, além de sugerir minimamente uma proposta interpretativa. Mas também acho que o abacaxi deva ser descascado e a casca é grossa (p. ex., um dos pontos que Apel insistiu lá contra Habermas foi sobre o transcendental – que Nythamar tb destacou – quando Apel enfaticamente criticava a destranscendentalização em Habermas. Mas isso o Habermas hoje só faz ouvir ou já finge que nem ouve mais). Uma outra complicação é a que Nythamar menciona – como sempre certeiro – sobre a relação entre naturalismo e transformação sociocultural ou algo do tipo, o que acho um dos problemas mais cruciais nesse debate. Em “Soziales Handeln und menschliche Natur”, escrito em 1980, Honneth e Hans Joas defendem que um dos problemas de Habermas em “Para a reconstrução…” é transferir quase que diretamente a ideia de “Lernprozess” de um plano ontogenético para um plano mais amplo da historia e de contextos sociais (e isso se refere tb ao trecho que Nythamar cita do Habermas). Com isso (como tb estará em Kritik der Macht), mesmo que seja fundamental manter uma dimensão naturalista e uma proposta de antropologia que Honneth nunca irá abandonar, perde-se a possibilidade de descrição de mecanismos internos à própria dinâmica social e de extrair o seu potencial normativo imanente. Tb acho muito profícuo o modo como Nythamar trabalha isso dentro desse diagnóstico de um déficit fenomenológico e a partir de um amplo quadro teórico. Tb em torno disso, eu acho abordagens como essa de Jesse Prinz interessante no que se refere à relação de moral e emotividade e uma espécie de “plasticização” da racionalidade. Só não sei exatamente, pelo que vi ainda por alto, qual o diferencial significativo entre esse tipo de proposta e o conceito de “segunda natureza” na tradição Aristóteles-Hegel-McDowell, mas teria que ver com mais calma. São sem dúvidas questões que estão na ordem do dia e dá pano pra muita discussão.

  7. Ah, e obrigado a Nythamar pela boa dica dos links sobre reconstrução racional.

    1. Oi Filipe! Eu que agradeço os teus profundos insights e esclarecedores comentários! Vamos aguardar os teus próximos posts sobre “o conceito de “segunda natureza” na tradição Aristóteles-Hegel-McDowell”! As críticas do Habermas ao Brandom (perspectiva da segunda pessoa) e do Honneth aos modelos negativos e reflexivos de liberdade (RdF) já parecem se mover nesta direção , sobretudo no segundo (eu li a contribuição do Honneth no volume sobre McDowell e achei brilhante, mas acho que a réplica do McD deixou a desejar…) Enfim, vcs todos do distropia estão de parabéns pela excelente qualidade dos debates aqui postados e pela liberdade de pensamento que aqui encontramos –algo que já se consolidou, decerto, em nossos debates institucionais, por ex, nos encontros da Anpof, mas nem sempre ousamos discordar em público –os GTs cada vez mais se parecem com pequenas igrejinhas heideggerianas, kantianas, habermasianas, foucaultianas –e ninguém quer ser excomungado!

  8. Caro Filipe, tempos atrás você postou o relato de um debate em Frankfurt entre Dejours, Renault e Honneth sobre reconhecimento e trabalho. Você poderia dizer algo sobre o que andam fazendo sobre o tema, Kocyba e Voswinkel, que também produziram um debate com Honneth a este respeito?

  9. Caro Leonardo, sobre esse debate houve mais recentemente um workshop por aqui, onde o Kocyba tb apresentou um texto, mas os artigos em grande parte ainda não foram publicados: http://www.philosophie.uni-frankfurt.de/lehrende_index/Homepage_Honneth/konferenzworkafterliberalism.html.

    O Voswinkel co-organizou esse livro, que será publicado em breve, cujo material pode te interessar: http://www.campus.de/wissenschaft/philosophie/Politische+Philosophie%2F+Sozialphilosophie.40444.html/Strukturwandel+der+Anerkennung.98215.html

    Bem, o artigo do Honneth vc já deve conhecer: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/article/viewFile/4321/3263. O Honneth desenvolve mais esse debate sobre a relação entre trabalho e reconhecimento no seu último livro: http://www.suhrkamp.de/buecher/the_right_to_freedom-axel_honneth_58562.html?d_view=english

    Espero ter ajudado. Abraço.

  10. Puxa, Filipe, obrigado mesmo pelo auxílio luxuoso.

    Honneth publicou também um esclarecedor “El reconocimiento como ideología”

    http://isegoria.revistas.csic.es/index.php/isegoria/issue/view/2

    O Renault faz uma síntese avaliativa dos debates de Honneth com Dejours e com Kocyba e Vosvinkel:

    http://www.cairn.info/revue-travailler-2007-2-page-119.htm

    Me parece que esses novos livros do Voswinkel e do Honneth são mesmo relevantes, mas esbarro na minha ignorância completa do chucrutês. Se não for abuso, vc teria indicação de algum texto correlato em inglês, francês, espanhol, italiano, gallego, português?

    Obrigadão, vez mais e parabéns pelo seu trabalho no blogue.

  11. então, o Strukturwandel der Anerkennung deve ter alguns dos artigos em outras línguas, mas é preciso ver. O novo livro do Honneth está sendo traduzido em várias línguas, inclusive para o português (deverá ser publicado pela Martins Fontes). O Honneth disse que ao menos a tradução pro inglês deverá sair só no próximo ano…

  12. Bom, vamos aguardar. Gostei muito do estudo do Jean Philippe Deranty: Beyond Communication. A Critical Study of Axel Honneth’s Social Philosophy. Leiden/Boston, Brill, 2009, em que critica, com apoio especialmente em Merleau-Ponty, a redução da interação, em Honneth, a um eixo bipolar sujeito-sujeito, negligenciando a necessária mediação com o real, que implica um modelo tripolar sujeito-mundo-sujeito.

    http://mq.academia.edu/JeanPhilippeDeranty/Papers/301661/Beyond_Communication_Conclusion

  13. é, eu li. Eu tendo a concordar com o Deranty em alguns pontos, mas achei essa argumentação final uma passagem meio brusca em relação à arquitetônica do livro. Mas enfim, em torno desse “terceiro” há muito o que se discutir, há várias críticas distintas, inclusive uma certa defesa do Honneth no artigo “sobre o poder destruidor do terceiro”, e aí entra Gadamer, Heidegger… mas esse é um aspecto que eu acho mt instigante e num certo sentido problemático em Honneth. Enfim, vamos nos falando. Abraço

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