Notas sobre uma distinção inexistente

O Gary Gutting (que eu admiro) escreveu uma crônica bem interessante sobre a distinção entre filosofia analítica e continental no blog de filosofia do New York Times.

Poucas discussões, me parece, indicam tanto o empobrecimento da nossa compreensão do que significa ter um método ou usar um método, quanto essa da distinção entre analítico e continental. Qual é a vantagem dessa distinção? Como ela pode ser devidamente apropriada? Quem decide?

Na verdade, a grande utilidade dessa discussão foi criar uma divisão ariticial, idiota, na discussão filosófica, uma discussão que serve, sobretudo, para determinar áreas de “ignorância aceitável” (roubei o termo do Grande Satan, Brian Leiter – ele provavelmente roubou de alguém, então tá de boas) que são resultado, principalmente, da simpatia que alunos tem por esse ou por aquele professor – e não pelas conseqüências metodológicas dessa ou daquela opção epistêmica.

Quando a gente escolhe um método, a gente tá comprando um pacote. Esse pacote pode funcionar para certas coisas, e funcionar pior para outras. Saber disso é o principal para que na hora de justificar tua pesquisa, os parâmetros de coerência argumentativa do teu problema, tu possa dizer “olha, eu escolhi isso porque me permite dizer aquilo. No entanto, para dizer outra coisa eu teria que ter usado outra perspectiva”.  Não tem nada de errado nisso. Toda escolha, como dizia o Parsons, é uma perda. Teoria dos jogos funciona maravilhosamente para analisar comportamento, mas pode ser uma roubada para prever ação ou investigar motivações. Fenomenologia estrutural pode ser uma excelente ferramenta para análise de ação social, mas eu teria problemas sérios em utilizar o método de forma isolada – quer dizer, sem um cruzamento com outras ferramentas de análise mais adequadas para lidar com dados. Existencialismo, bem, eu ainda não sei qual a utilidade de uma perspectiva existencial.

Mas a distinção entre continental e analítico nos ensinou que existem abismos conceituais impossíveis de serem conectados entre determinadas “tradições” filosóficas. E também colocou a discussão em termos bizarros. Já ouvi filósofos que se identificam com a tradição “continental” acusando os “analíticos” de não terem uma concepção de “mundo”. Já ouvi filósofos “analíticos” acusando os “continentais” de serem obtusos e hiperbólicos. Em ambos os casos, a generalização partia de algo que alguém tinha concluído após ver uma palestra de um indivíduo falando de uma coisa chamada “analítica” ou “continental”.  Em ambos os casos, portanto, havia uma imensa ignorância sobre os termos que qualificam uma discussão propriamente significativa na filosofia – ou em qualquer outro campo.

Talvez seja parte da natureza da academia essa divisão em campinhos rivais, que acaba sendo excelente para criar mercados e vender livro. Criamos palavrinhas de ordem, letimotifs, “biopolítica”, “inteligência artificial”, “kripkstein”, e essas palavrinhas nos permitem organizar congressos, criar tendencias para garantir redes de legitimação mútua e parâmtros de crítica “aceitável” e alienar alunos em grupos. Esse alunos, por sua vez, vão identificar o que está fora do “domínio” com nã0-importante, como secundário. Nisso, substituimos a discussão que realmente importa (quais são os critérios epistêmicos do teu trabalho? para onde ele está te levando? como ele contribui?) por uma discussão tosca sobre o time que tu gosta mais (Continental ou Analitico? Quali ou Quanti? Cerveja ou Vinho?).

Com isso conseguimos, em cinquenta anos, criar uma divisão autista no nosso campo de trabalho, onde poucas pessoas realmente discutem sobre método. A discussão sobre método é substituída por uma discussão besta sobre como os Continentais estão, supostamente, em uma posiçao melhor que os Analíticos para falar de experiência (hein?) e como os analíticos estão, supostamente, em uma posição melhor que os Continentais para falar de lógica (de novo, HEIN?).

Filosofia analítica e continental, meus amigos, são duas coisas que NÃO EXISTEM. Qualquer um que insiste em falar nesses termos está cometendo uma grosseria absurda, uma simplificação, e certamente não leu metade da bibliografia básica para compreender a distinçao entre Husserl e Carnap (dica: ela é muito mais sutil do que tu imagina), ou entre Heidegger e Husserl (dica: mais radical que a entre Husserl e Carnap), ou entre Foucault e Derrida, Rawls e Habermas, Rorty e Dewey, e por aí vai. Simplificar o debate entre Rawls e Habermas ou Habermas e Derrida como uma discussão entre filosofia analítica e continental é perder a dimensão na qual métodos são importantes. Métodos são importantes por que eles  tem sutilezas nas suas particularidades argumentativas, por que eles representam perdas e ganhos importantes .

No entanto, essa tensão que divide a discussão filosófica em times acaba te obrigando a definir o que tu faz nos termos do que a coisa não é. “Não sigo a perspectiva totalizante da descrisção analítica da experiência de mundo”, por exemplo. Isso tudo é bonitinho e bacaninha em discussão de mesa de bar, mas a discussão técnica na filosofia precisa voltar, urgentemente, para os termos de transitividade e coerencia metodológica – ou vamos nos enterrar em uma mentalidade onde um grupo ignora completamente as potenciais contribuições do outro a partir de uma premissa geral “eu não faço o que esse cara faz, e o que esse cara faz tá errado”.

18 comentários

  1. Nunca entendi e nunca vou entender essa diferenciacao. A clareza da apresentacao da ideia nao pode ser o critério para distinguir as duas áreas e muito menos o uso de uma análise conceptual. Eu diria que o que eu chamo de “autoridade” ou “tradicao” pode ser um fator de diferenciacao. Filósofos mais ligados à tradicao continental tendem a reverenciar mais a tradicao filosófica (como por exemplo, analisando as diversas interpretacoes de um determinado conceito abstrato em diversos sistemas filosóficos desenvolvidos), enquanto os analíticos, normalmente, partem da concretude do mundo ou da linguagem, sem prestar, necessariamente, continência aos pensamentos anteriores (a nao ser quando é necessário). Parece-me que os continentais sentem mais o peso da história e entedem a filosofia nao só como uma metalinguagem ou meta-instituicao, mas, muito mais, como uma história de problemas universais ao homem.
    Sei que isso tudo é muito contingente e acredito (observo isso aqui na Alemanha) que há uma tendência muito forte de aproximacao entre os dois espacos, mas ainda é possível diferenciar uma tese norte-americana (tradicional) de uma alema (tradicional).

  2. Pois é, Saulo.

    O Gutting, no artigo dele, vai numa direção parecida com a tua. Tentando indicar uma familiaridade maior da filosofia “continental” com a tradição filosófica, oposta ao tratamento de “problemas” da filosofia analítica.

    Eu, particularmente, acho essa distinção um pouco arm-chaired. Já vi muita bobagem generalista passando como “cuidado com a tradição” por parte de supostos “continentalistas” e já vi textos de filósofos “analíticos” extremamente cuidadosos com a história da filosofia.

    Acho que o que torna a tese americana da tese alemã distintas é o que se espera de uma tese em cada um dos locais. A academia americana é orientada para a repercussão das teses no mercado: ela pode ser publicada? ela vai ajudar a formar teu perfil enquanto um “scholar” que tem uma perspectiva única ou interessante no mercado? Creio que na alemanha espera-se algo diferente. Mas tu aponta bem que isso presume uma generalidade no processo de fazer uma tese, e o que eu percebo, cada vez mais, é que departamentos são radicamente diferentes nisso – e o que passa por peculiaridade locais são generalizações…

    Essa questão das tradições me deixa meio arrepiado, cara. Eu entendo o que tu queres dizer, e eu sinto que existe uma falta de cuidado na abordagem dos problemas clássicos da filosofia. Mas eu acho que o problema, hoje, é dividido por todo mundo. Especialmente pq a gente deixou de discutir método e consequencias de opções metodológicas para discutir se um trabalho se encaixa nessa ou naquela corrente filosófica…

    1. Isso é bem complicado mesmo e, como disse, o critério da tradicao é algo contingente. Sobre a perspectiva do mercado, acho que aqui é um pouco diferente, embora haja, sim, uma preocupacao grande com a “audiência”, a qual nao é, necessariamente, o mercado de venda de livros.

      Fiz o meu mestrado em Heidelberg sobre Gadamer (mais continental impossível!) e quando vim para Göttingen fazer o doutorado, o meu orientador de Heidelberg me disse: “Nao entendo qual é a ligacao que estás vendo entre Gadamer e a filosofia analítica” ( o meu orientador de Göttingen é tido como defensor da filosofia analítica na filosofia do direito…). Coisa semelhante aconteceu quando fui apresentar um paper em Portugal e estava falando com um prof. de lá sobre o meu doutorado. Daí, só porque disse que escrevo sobre “análise conceptual no direito”, ele disse: “Ah, entao és da filosofia analítica”.

      Nao sei se o meu tema é de filosofia analítica ou nao. Prefiro acreditar que há o bom e o mal filosofar, seja com referência ou nao à tradicao. O método (ou a metodologia?), com certeza, faz parte do critério diferenciador do bom e do mal filosofar.

  3. Nota à margem: muito bom ver dois amigos – de quem gosto e admiro – trocando ideias.
    Fico realmente muito feliz.
    Abs

    1. Obrigado, Pedro. É recíproco! Aliás, obrigado também por me indicar o blog. Já acompanho há algum tempo…

  4. marcosfanton · · Responder

    Pois é, pessoal. Eu acho que o resultado mais pernicioso que essa distinção produzido foi, como o Fabs apontou, a possibilidade de simplesmente ignorar determinados trabalhos filosóficos devido ao seu rótulo, ou seja, não se tenta mais criticar, refutar, aproximar autores do outro “pólo”. O Puntel chamou isso de “mutismo filosófico”, mas alegou que haveria uma impossibilidade de termos um diálogo genuíno entre determinados autores (principalmente, por causa da função da lógica na teoria filosófica).
    Eu também concordo que essa distinção entre analítico-continental pode deixar de existir, mas a questão que fica é: o meu método filosófico me permite discutir, interpretar e criticar qualquer outro método ou área da filosofia? Ou será que há limites e eu tenho que deixar de lado determinados autores?
    Uma questão que me chama sempre a atenção também nesses debates é a noção de “clareza”, que o próprio Gutting assume: os analíticos são mais claros. Ora! Se nós entendermos clareza por explicitação de conceitos ou de pressupostos, eu não concordaria com ele, pois vários filósofos analíticos são absolutamente obscuros ou imprecisos.

    1. Eu tenha a impressao que a dita clareza maior da filosofia analítica se deve ao fato dela ser considerada, segundo esta tradicao, uma espécie de língua franca esclarecedora das ciências particulares. Assim, por ter por única ou principal funcao a crítica da linguagem científica em particular, a filosofia necessitaria ser mais clara e se valer de conceitos mais comuns ou ordinários. A tentativa, no polo da filosofia continental, de criar sistemas holísticos a partir de conceitos universais, impoe, nao necessariamente, uma recriacao da linguagem ordinária, o que torna, quase sempre, os textos mais obscuros, i.e., a pessoa precisa conhecer, previamente, um vocabulário básico especial para compreender a discussao. Mas, isso nao é sempre. O Habermas, por exemplo, nao é tao obscuro assim… ou é? ;)

  5. Olha, não sei se Habermas é obscuro. Mas como escreve mal, pelo amor de deus :P
    Tô relendo a TKH, amo profundamente, mas eita livro COMPLICADO DE LER. Mas dae, também, são os GERMANISMOS.

  6. Sobre clareza, remember a nota dedicatória de Heidegger para Husserl na primeira edição de Ser e Tempo: “na maior clareza está a maior beleza”.

    Se fosse twitter, teria virado #ironia.

  7. marcosfanton · · Responder

    Sim. Saulo, eu concordo contigo. Eu também acho que a clareza da filosofia analítica está na sua recepção da(s) lógica(s), ou seja, em certo sentido, eles compartilham de um quadro teórico mais ou menos comum. Claro, hoje as coisas estão bem mais complicadas tanto com o avanço em pesquisas da lógica quanto com filósofos analíticos que utilizam o método para outros temas. Já o pólo continental eu também vejo essa questão, que é a criação de novos conceitos – o que não tem nada de errado, se você conseguir ser claro. ;)
    Além disso, eu queria saber quais livros de filosofia na história anglo-saxônica foram barrados ou censurados para a publicação seja por causa do Estado seja por causa da religião. Não sei se há relação, mas me parece que a censura tem um papel importante na formação do modo de trabalhar e escrever textos de filosofia na Alemanha, França, etc. Vocês não acham?

  8. Gostei bastante do texto. Apenas me preocupo (loop eterno) se a tomada (escolha) de uma metodologia – ou uma ‘escola’ e seus preceitos em alguns casos, whatever – nao acaba sendo de uma rigidez no estilo ‘torcida futebolistica’ que ajuda o individuo a se contentar com as limitacoes da proposta e ‘combater’ as demais.

    Eu sei: tem muito BARBEIRO que faz “bricolages” bizarras para suplantar mediocridades proprias na sua ausencia de dominio em algum dos limites de um metodo – que o faz “pular” para outro quando bem entende e chegar num resultado que nada mais se mostra do que uma bravata infantil.

    Mas um dos grandes problemas de se pensar uma multi ou inter disciplinaridade reside no fato de que se quer misturar objetos sem nem ligar para uma metodologia que talvez pode dar conta (talvez nao) do problema. A discussao de algum(s) metodo interdisciplinar para mim tem um papel fundamental. E ela geralmente esbarra num anarquismo bobo de um lado, ou de um ‘partidarismo’ xiita de algumas metodologias, teorias.

    (Percebam que eu fugi incrivelmente da discussao “Analiticos x Continentais” eis que eu mal e mal sei diferenciar ILHA de CONTINENTE: terminei o primeiro grau ontem no supletivo e tirei 6,5 em geografia) :P

  9. Acho que o Divan traz uma coisa interessante nesse negócio de time, que é a compreensão de método enquanto jogo.

    Tipo, gosto muito de pensar em método nesses termos: método é um jogo de linguagem. a gente estabelece regras pro jogo, parâmetros, domínios de possibilidades aceitáveis ou não-aceitáveis. coisas que dá e coisas que não dá prá fazer.

    Só que tem um outro lado, um jogo não é exatamente melhor que outro. Um jogo é DIFERENTE do outro. Tipo, basquete não é melhor que futebol. Eu posso gostar MAIS de futebol, mas isso não implica o jogo ser melhor. Jogar futebol pode me tornar um jogador melhor de basquete? Até pode. Pode me dar uma perspectiva diferente do jogo. Numa dessas eu sou um cara criativo e crio um jogo chamado futequetebol (oi!).

    Mas eu vou ter que ser muito troll, muito babaca, para chegar por aí dizendo AÍN ESSA MERDA DE JOGO QUE TU GOSTA É UMA MERDA DE JOGO, SEU MERDA. E, no entanto, tem os caras que fazem isso com futebol vs basquete, ou MMA vs Volleyball, sei lá. Então, não deveria ser surpresa que tem a mesma perspectiva nos nossos jogos de linguagem da filosofia caem na mesma bagaceira.

    Agora, o que eu não admito é falta de transitividade. As regras estão estabelecidas. Saiba a regra do jogo. Especialmente, é importante poder jogar um jogo que POSSA TER REGRA. Daí meu desconforto com certas perspectivas pós-modernas, pós-estruturalistas, ou pós-qualquer-coisa, que querem me dizer que dá para fazer um ziriguidum do diabo e tá tudo de boas.

    Tudo bem que tem o pessoal que curte dedo no olho, vale-tudo, all-bets-are-off-no-limit-poker, e coisas afim. Mas daí eu acho que se é esse o “jogo” que tu tá jogando, talvez seja o caso de parar de chamar de jogo. Ou melhor, vamos estabelecer outros parametros.

    Tem “jogos” que são esportes. Tem “jogos” que são métodos. Não existem jogos do tipo “método” sem coerência argumentativa (ao menos interna, for crying out loud!). Não existe jogo do tipo “filosofia” sem método.

    Concluam o resto por conectividade, ok?

  10. Luis Rosa · · Responder

    Creio que temos razões para crer que existe diferença entre as duas tradições. O que talvez não seja claro é o melhor critério para realizar a distinção, pois como foi ressaltado em muitas discussões, as caracterizações distintivas parecem muitas vezes ser ad hoc. Caracterizar analíticos como "aqueles que prezam pela clareza conceitual e análise lógica" e contrastá-los com continentais com abordagens historicistas, sociais ou existenciais não nos fornece tal critério para a distinção. Russell, por exemplo, é um filósofo completamente orientado para a história da filosofia, com conhecimento desta história e reconhecimento de influências. E Husserl, por exemplo, é um dos importantes interlocutores sobre lógica, aritmética e filosofia formal de seu tempo. Talvez um caminho mais promissor esteja no uso de métodos, ou conjuntos de métodos. Mas, mais uma vez, o que isso contribui para as questões filosóficas propriamente ditas?
    Resumindo: creio que há diferença, mas que o critério para tal diferença não é claro. Além disso, concordo plenamente com a idéia do fabrício de que, em alguns casos notáveis, o uso de métodos distintos existe em função de uma determinada em questão. Teorias com diferentes métodos podem responder a questões distintas, e funcionar de maneiras distintas, para distintas finalidade. Isso não nos oferece condições para estabelecer hierarquias entre estes diferentes métodos, a menos que eles tentem responder a mesma questão e tenham a mesma finalidade.

  11. marcosfanton · · Responder

    É, mas eu também acho que a questão que está presente no fundo é: porque aderimos a determinado método ou a determinada posição filosófica?? É uma adesão subjetiva apenas e, ao longo do tempo, vamos encontrando argumentos para fundamentar melhor essa posição e criticar outras? Acho que isso vale um post!! :)

  12. Será que nao há jogos melhores que outros mesmo? Um jogo, por exemplo, que desenvolva mais a habilidade motora, deve ser considerado um jogo melhor para criancas com dificuldade para locomocao, por exemplo. Um jogo que possibilite uma expressao corporal em maior grau, pode ser considerado um jogo melhor para pessoas com dificuldade de se expressar. Ou nao? Sei que a pergunta leva a uma outra questao, mas acho que, como disse no meu comentário anterior, há, sim, o bom e o mal filosofar.

  13. Pois é, Saulo.

    Mas para mim é mais uma questão de utilidade. Certos jogos se prestam para certas funções, outros nem tanto. Existe um grande campo comum de jogos dentro desse guarda-chuva da “filosofia”, certos jogos vão dar em estratégias piores ou melhores para lidar com certos problemas filosóficos. Muitas vezes a gente chama de má filosofia um jogo em particular que está sendo mal jogado, outras vezes é porque o cara está utilizando uma determinada estratégia (bem jogada) em um contexto onde aquela estratégia simplesmente não funciona. E outras vezes porque o sujeito tá chamando de filosofia algo que nem remotamente parece com qualquer tipo de discurso que possa ser chamado de filosofia – ao menos nesse universo possível, if you catch my drift.

  14. Luis Rosa · · Responder

    Marcos, esta questão deveria ser de profundo interesse a filósofos preocupados com questões de meta-teoria. Uma coisa importante a levar em conta quanto a esta questão sobre o porquê de aderirmos a uma teoria ou outra, é uma distinção entre o que causa uma atitude de crença (ou conjuntos de crenças) e o que justifica esta atitude de crença. As causas pelas quais fomos levados a aderir a uma ou outra teoria podem não ser idênticas à justificação, ou razão epistêmica, que temos para crer que esta teoria é correta. A posição mais confortável é relegar a primeira questão à psicologia e a segunda questão à epistemologia de segunda-ordem. No entanto, podemos pensar que se existem processos causais influenciando atitudes doxásticas que não envolvam razões epistêmicas, então a questão da justificação destas atitudes doxásticas não pode ser interpretada como uma relação "pura" (meaning: guiada APENAS pelo objetivo epistêmico de ter um conjunto de crenças em que se otimiza a verdade e se evita a falsidade). O grande lance estaria não em basear nossas avaliações meta-teóricas na distinção causa/razão, mas na distinção ponto-de-vista real/ponto-de-vista ideal. How that sounds?

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