Sobre o sentido da filosofia…

Luis Rosa

(OBS: sei que estou devendo um post continuando aquele assunto sobre extensão e intensão – não postei ainda devido ao fato de que tomei consciência de alguns problemas mesmo em descrever teorias semânticas formais – espero que meus amiguinhos analíticos (e interessados) compreendam…)

Ei! O que estamos fazendo? Qual é o nosso objetivo? Estou falando de nós, que estudamos filosofia.

Este é um tipo de reflexão que geralmente mostra-se mais pertinente em nossa vida mental, particular e privada, relativa ao sentido de nós mesmos (cada ‘eu’) se dedicar a esta área de investigação. Mas acredito que haja um componente por trás daquelas perguntas que pode se tornar pertinente para a comunidade filosófia, entendida como uma entidade que compartilha conteúdos de interesse. Qual componente? Falarei sobre três aspectos envolvidos na práxis filosófica: i) a satisfação subjetiva; ii) desenvolvimento teórico; iii) utilidade pública.

i) é um elemento que facilmente se faz sentir. Parece que temos satisfação nesta prática não somente quando nos damos conta de um problema filosófico que é ‘elementar’ diante de outros, mas também quando conseguimos ter uma boa interpretação sobre aporias filosóficas pré-existentes. O fato de estar lendo uma obra ou artigo é satisfatório. Em suma, quando há interesse por parte do agente cognitivo, ele contém satisfação. Mas qual seria a satisfação máxima no universo da filosofia? Aqui pode haver plena discordância, mas acredito que para a maioria de nós seria trazer a solução pra um problema filosófico, mesmo que não estejamos compreendendo esta solução como tendo a propriedade de ser definitiva, mas coerente e satisfatória ao menos para o nicho filosófico que compartilha os mesmos axiomas que nós mesmos aceitamos. Admitindo nós ou não que há um funcionamento cognitivo melhor que outro, julgamos ter um bom funcionamento cognitivo quando conseguimos resolver problemas. Mas faria sentido ter uma solução e não ‘torná-la pública’ (‘publicar’)? Bem, se o interesse estiver tão somente na satisfação subjetiva, isso pode fazer sentido, mas o fato é que a dimensão pública exerce grande força coercitiva sobre nós no que diz respeito a tal atividade. E isso nos leva pra ii)

O que quer dizer ‘desenvolvimento teórico’ em filosofia? Há um corpus teórico certo? Eles é composto não somente por questões, puzzles ou problemas prioritários, mas também por assunções que, não sendo tomadas, os maus lençóis tornam-se maiores. É preciso partir de algum ponto. Se já partimos de algum ponto, com teses que parecem contemporaneamente quase inabaláveis, isso nos abriga a tentar realizar pelo menos duas coisas. Uma delas é melhorar o caráter explicativo relativo a tais teses. O outro é fazer com que elas conduzam, coerentemente, a próximas teses. É claro que ficam ‘pontos obscuros’ neste caminho, e parece que não há como se desfazer de todos os pontos com esta características (insolubilidade). Mas: do ponto de  vista estritamente teórico, isto traz avanços, como se julga haver na ciência? É uma fala comum em livros de filosofia afirmar que nos confrontamos com os mesmos problemas que Platão e Aristóteles se confrontavam – mas elaboramos novas formas de tratar tais problemas, o que pode evidentemente modificá-los. Não fica a impressão de que mudam os modos de abordagem, e com isso os conteúdos, mas permanece uma mesma estrutura do problema? Então, a resolução máxima, ao menos de nosso ponto de vista, não seria ‘resolver a estrutura’? Isso acarreta modificá-la. É isso então o avanço? E para que avançar nisso? Trata-se tão somente de resolver os problemas ao nível especulativo – ou seja, com tais ‘avanços’ melhoramos somente a visão teórica do mundo? É claro que a mesma pergunta poderia ser feita a um cientista, mas nós, que estamos estudando filosofia, usamos a palavra ‘mundo’ num sentido extra-mundano. Audácia? Fadados ao fracasso? O cético não parece ter sempre razão? Talvez, poderíamos buscar um consolo na utilidade de nossa práxis. E este é o ponto iii).

Quero prosseguir neste ponto junto com os co-leitores deste blog. Eu não sei qual é a utilidade da filosofia (como pesquisador em filosofia, me sinto inútil…) . Ela tem ou não tem utilidade?

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