Diário de um bolsista – Segundo semestre

Querendo ficar mais folgado no último ano do mestrado para escrever a dissertação, acabei fazendo várias disciplinas no segundo semestre.  Peguei 3 disciplinas extensivas e 1 intensiva. 

(1) Do Stein, sobre o livro Autoconsciência e autodeterminação, do Tugendhat. Daqui, saiu a idéia para meu artigo-de-fim-de-semestre, discussões sobre interpretações de paradigmas filosóficos, sobre a relação Heidegger-Tugendhat, etc.;

(2) Do Pich, sobre a filosofia analítica do séc. XX: Frege, Russell, Moore e um pouquinho de Wittgenstein. Li bastante Frege: Fundamentos da aritmética, os principais artigos e alguns comentadores (Tugendhat, Dummett, Sosa e outros que não me lembro o nome). Isso ainda é algo estranho de lembrar, por sinal, porque eu, sinceramente, não sei ainda o que fazer com Frege. 

(3) Do Nythamar, sobre Justiça: Ontologia e Subjetividade.  Com o Nythamar que escolhi fazer meu trabalho-de-final-de-semestre, já que precisava apresentar um trabalho em outra área de pesquisa. O tema foi sobre vontade livre e determinismo, no qual tentei explicar a posição de Tugendhat  e, ainda, coloquei-o em discussão com as posições de Chisholm, Kane, Strawson, Frankfurt e Stein.

Escrever este artigo foi importante, porque, a partir das aulas do Stein e do Nythamar, aprendi a tentar me situar em algum tipo de discussão contemporânea, com autores, obviamente, contemporâneos. Contudo, senti a dificuldade de não ter certo estofo histórico-filosófico para analisar as propostas de alguns autores. Histórico no sentido de perceber quais os temas estão por trás e quais os argumentos são semelhantes ou até já foram refutados por outros filósofos. Pena que não consegui ler o livro do Bieri, Das Handwerk der Freiheit (em espanhol, El ofício de ser libre) e alguns artigos de neurocientistas (entre eles, Benjamin Libet). 

Dei sorte, ainda, pois este debate antecipou, em certa medida, as discussões que serão feitas, neste ano,  a partir de Darwin.

Este artigo também foi muito importante, porque foi com ele que tive o insight principal para mudar, de vez, espero, o projeto de mestrado e já tomar um rumo para a dissertação: o conceito de existência em Heidegger e Tugendhat. 

(4) A última disciplina foi com a professora alemã Friederike Rese, assistente do Figal, que ocupa a cátedra do Heidegger em Freiburg. As aulas foram interessantes; sobre experiência e linguagem em diversos autores – Aristóteles, Nietzsche, Husserl, Heidegger, Gadamer e Ricouer. Ali, conheci também o Thiemo Breyer, que está fazendo tese em Freiburg sobre Husserl, estava perdido no Brasil e, de quebra, foi a primeira pessoa que entrevistei – foi postado, evidentemente, aqui no blog

Entre outras coisas, o semestre também foi muito bom para fazer comunicações em congressos, das quais consegui publicar um artigo, Ser-no-mundo, ciência e técnica.

Enfim, por enquanto é isso.

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