Feliz aniversário, Darwin.

No less a champion of Darwinian thought than Richard Dawkins holds out the prospect of ‘deliberately cultivating and nurturing pure, disinterested altruism -something that has no place in nature, something that has never existed before in the whole history of the world’. Although ‘We are built as gene machines,’ he tells us, ‘we have the power to turn against our creators’. There is an important truth here. We are the first generation to understand not only that we have evolved, but also the mechanisms by which we have evolved and how this evolutionary heritage influences our behaviour. In his philosophical epic, The Phenomenology of Mind, Hegel portrayed the culmination of history as a state of Absolute Knowledge, in which Mind knows itself for what it is, and hence achieves its own freedom. We don’t have to buy Hegel’s metaphysics to see that something similar really has happened in the last fifty years. For the first time since life emerged from the primeval soup, there are beings who understand how they have come to be what they are. To those who fear adding to the power of government and the scientific establishment, this seems more of a danger than a source of freedom. In a more distant future that we can still barely glimpse, it may turn out to be the prerequisite for a new kind of freedom.

Muito obrigado, por sinal.

Em tempo: a passage acima é de Peter Singer, com quem via de regra eu discordo, e com quem concordo integralmente neste ponto. A passagem que eu destaquei, parece dar o tom de um discurso determinista, e ao mesmo tempo libertador. Porque ele diz: “somos determinados, somos máquinas genéticas”, mas também diz “existe algo que podemos fazer sobre isso”. Darwin talvez tenha falado mais sobre a natureza humana do que qualquer filósofo do século XX e pode ter falado melhor. Ou talvez, ele simplesmente fale de outro tipo de natureza humana.

Logo, teremos algo mais sobre isso aqui no blog.

18 comentários

  1. E existe uma natureza humana?

  2. Boa pergunta. Talvez nao nos termos transcendentes que foram desenhados por tantos filosofos, mas talvez existam natureza(s) humana(s). Creio que a tese do relativismo cultural eh totalmente compativel com esta constatacao. Diferentes naturezas, diferentes “ethos” constituem diferentes ” humanos”.

    A tese da adaptabilidade ajuda a explicar este fenomeno, e sem apelar para um elemento transcendente, ou substancial.

  3. Eu so tenhodificuldade com a palavra “natureza”, ainda mais nesse contexto. Se vc vai puxar pela antropologia mais interpretativa (com a questao do relativismo cultural), me parece fazer mais sentido falar de culturas, e dai reduzir a “natureza” humana a uma igualdade biologica que nos une, mas que nao explica muita coisa (talvez!).

  4. eh, neste contexto, o que eu chamei de “natureza” humana poderia ser chamado de cultura. Mas talvez seja este o ponto. O singular da nossa especie eh a capacidade de criar esta estrategia de sobrevivencia chamada “cultura”, sem cultura a gente nao tinha ido muito longe. Neste sentido, a “natureza” humana ultrapassa a igualdade biologica, e tem um outro elemento constitutivo, que tem um Fundo biologico – mas tambem e circunstancial.

  5. Concordo. Mas sigo pensando que faz pouco sentido falar em natureza humana. Meu problema e que esse termo me soa tao determinista!

  6. Tah, mas desculpa responder com outra pergunta: CULTURA, em um certo sentido, tambem nao tem um elemento forte de determinismo?
    Eh um pouco o que o Dawkins diz: existe um elemento determinista, do qual a gente eh capaz de se emancipar. Isso eh verdade tanto para o biologico quanto para o cultural. Mas ele tambem te constitui de formas que tu nao controla, sobretudo porque tu nao escolhe. Tu nao escolhe nascer brasileiro, gaucho, porto alegrense. Mas tu pode lutar contra as coisas nestas culturas que tu nao gosta. Mesma coisa: tu nao escolhe nascer com esta ou aquela condicao fisica, mas tu pode tentar controlar ou viver com ela da melhor forma possivel.

  7. E que, ao meu ver, inerente ao conceito de cultura e a ideia de diferenca. e isso e bastante. E claro que cultura pode ser usada de maneira determinista em qualquer explicacao, mas me parece um conceito mais maleavel que o de natureza.

    ED qualquer forma: DE fato, ng escolhe nascer gaucho ou porto-alegrense, mas definitivamente deve-se lutar contra isso! :P

  8. Bah, ruim mesmo eh o cara nascer em Cuiaba e depois ainda ter que aguentar viver em Farroupilha. Ja imaginou o que isso deve fazer com a psique de uma pessoa?

  9. Deve acabar, sei lah, sendo caricaturista, ou em um mestrado em filosofia pensando em estudar Davidson…

  10. Estrago completo.

    :P

  11. Tá, mas seguinte, eu concordo quando Tugendhat fala que o determinismo não está atrelado à idéia de comportamento. Por exemplo, não é porque tu tem tais e tais característica biológicas que tu vai agir de tal e tal modo. Acredito que talvez vocês concordem com isso.
    E outra, pô, tem que haver espaço para um metafísico nesse discussão! Ok, o Fabrício já passou o facão na transcendência desdo primeiro comentário. Mas, o ponto que eu quero perguntar é: vocês dizem que há algo que nos determina (biologia ou cultura), mas que, ao mesmo tempo, podemos “ultrapassar” ou lutar contra este algo. Isso não poderia ser descrito através da transcendência (ou mesmo de dimensões de profundidade)? E por que não se poderia falar em algo que é o MESMO para todo e qualquer ser humano?

  12. Farroupilha é a sede do SER ENQUANTO TAL!

  13. Nao entendo o lugar do metafisio em discussoes relativas a sociedade. Mesmo.

    :)

  14. Ok. Mas, como uma cultura se comunica com a outra? Falar de diversas culturas ou de diferentes tipos de “natureza humana” já não são argumentos com pretensão universal?

  15. Há um argumento frequente contra os nietzscheanos ou derridianos: como se pode falar em diferentes tipos de perspectiva ou de uma dispersão de sentido sem ser auto-contraditório? Ou seja, se Nietzsche fala em perspectivas, ele só o faz estando de “fora” da própria perspectiva – do contrário, ele só poderia afirmar algo sobre sua própria perspectiva. Assim, eu te perguntaria, como podemos falar em diferentes “culturas” ou diferentes tipos de “natureza humana”, sem admitirmos algo que seja o mesmo para qualquer cultura ou sem irmos “além” da própria cultura? É aqui que eu me interessaria em saber a tua resposta, já que eu tenderia a pensar nisso a partir de conceitos como transcendência. Isto é, eu descreveria isso filosoficamente a partir da fenomenologia hermenêutica, da metafísica ou da filosofia analítica, sei lá – mas todas encaradas como uma espécie de descrição com pretensões universais, não-empíricas e que descrevessem o mesmo em cada ser humano. E isso eu veria em um diálogo muito forte com as diversas ciências, já que, por exemplo, se poderia questionar em que tipo de metafísica a tese naturalista se apóia. Como tu veria isso?

  16. Me metendo no debate (que está interessante): eu acho complicado entender o conceito de natureza humana como ligado ao da cultura. Me parece que por trás dessa idéia está a velha concepção aristotélica de homem como zoon politikon, ser político, que se organiza em comunidade e forma uma cultura. Um outro conceito aristotélico – que considero mais complicado e pertinente a questão da natureza humana – é o de ser racional. A Hannah Arendt problematiza essas questões no livro A Condição Humana. Mas o que gostaria de perguntar a vocês é como falar em uma natureza humana (ou mais de uma, o que acho complicado), nos típicos casos das crianças perdidas, menino-lobo, etc. Alguns estudos com essas pessoas (que cresceram longe de uma sociedade e de uma cultura), revelam que o cérebro delas atrofiou de tal maneira que simplesmente perderam certas capacidades, como a de aprender uma linguagem sofisticada e compreender uma série de conceitos que seriam a base para o que entendemos como razão humana. Em outras palavras, elas têm praticamente a mesma capacidade mental, por assim dizer (segundo os biólogos) que alguns macacos. Aliás, dizer que a cultura é algo exclusivo de seres humanos talvez não esteja correto, há macacos que ensinam seus filhotes a fabricar instrumentos e possuem uma comunicação bastante eficiente. Para os biólogos isso constitui uma cultura. O que acham?

  17. Juliana,
    em relação à tua primeira pergunta, eu te perguntaria de volta: o que tu entendes por razão? Achei a tua questão extremamente interessante, porque ela parece não pressupor uma idéia de razão como uma faculdade ou, poderíamos assim dizer também, um órgão ou objeto incrustado no ser humano, já que ela somente se daria a partir do aprendizado da linguagem e da possibilidade de compreensão e enunciação de frases com sentido. Interpreto isso a partir da reformulação do conceito de razão dado por Tugendhat: “razão é a capacidade de argumentar, de responder pelas próprias crenças e ações”. Ainda com Tugendhat, eu diria que tais pesquisas seriam importantes para mostrar até que ponto uma teoria filosófica é consistente e mantém um diálogo com as ciências (ou seja, não delira). Por exemplo, a idéia de auto-referência ou de autoconsciência precisaria ser interpretada e descrita também a partir de um contexto social e cultural (talvez dê para se dizer isso).
    Eu também interpretaria a tua questão em outra direção: como é possível definir um conceito de natureza ou razão humana que abarque a totalidade do ser humano? Nos casos que tu descreveste, tais crianças “deixariam” de ser seres humanos? Eu poderia dizer que o mundo é muito mais rico do que a filosofia consegue descrever… :/
    Por fim, em relação à diferença entre ser humano e animal: influenciado por Heidegger e pelo Stein, daria para dar uma resposta simples e, digamos, básica: há uma diferença abissal entre ambos. Mesmo que o macaco fabrique instrumentos ou, apelando para pornografia, faça sexo ao estilo papai-mamãe, ele nunca vai dar sentido a tudo isso (“eles não formam mundo”, no heideggerianês), não se auto-compreendem.

  18. Pois é, Marcos. Estava pensando em razão como a capacidade de articular conceitos complexos, responder por si mesmo, ter autoconsciência, etc, mais ou menos ao encontro da definição do Tugendhat. O que eu acho interessante nesses casos estudados pelos biólogos é que eles mostram de modo concreto os limites de alguns conceitos filosóficos: nos colocam a prova. Minha irmã estuda biologia, e tem sido ótimo para mim discutir questões como essas com pessoas de fora da filosofia. Sobre os casos estilo “menino-lobo” o que acontece é que uma vez que se defina que a natureza humana está na razão (entendida deste modo), essas pessoas não poderiam ser consideradas humanas, o que é absurdo. Se realmente há uma maneira de definir uma natureza para o homem, não faço idéia. Quando se pensa em termos biológicos, e se tenta definir a partir da genética, também é complicado. E, sim, comcordo contigo que há uma diferença enorme entre nós e os animais. Mas depois que soube desses casos que descrevi, passei a acreditar que essa diferença não é algo tão necessário como eu costumava pensar, mas mais algo como uma capacidade latente, que precisa de determinadas condições para se desenvolver. No mais, parabéns pelo blog de vocês, está bacana de ler.

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