Justiça como justificação? Entrevista com Rainer Forst

Na última sexta recebemos Rainer Forst no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt para a entrevista que marca a conclusão do projeto “Rechtfertigung und Gerechtigkeit. Die Spuren der Frankfurter Kritischen Theorie in den Schriften von Rainer Forst“ (Justificação e justiça. Os vestígios da teoria crítica de Frankfurt nos escritos de Rainer Forst). Desse modo, deu-se continuidade a outros projetos do grupo internacional de Teoria Crítica, no qual foram entrevistados nos últimos dois anos Axel Honneth e Jürgen Habermas. É sobre essa entrevista que inicio minha participação aqui no blog. Forst é, antes de tudo, um kantiano: ele trabalha com uma concepção bastante específica (em grande parte kantiana) de pessoa, de natureza humana, etc.. Mesmo que isso seja evidente na sua teoria, ele deixou essa posição muito clara na entrevista, acrescentando expressões do tipo “como um bom kantiano” e risadas irônicas ao falar de Hegel. Mas Forst é um bom kantiano. A sua leitura da razão prática diverge de boa parte deles e me pareceu particularmente interessante, assim como outros conceitos, como o de história – aqui mais próxima do Kant da “Paz Perpétua” (talvez depois escreva melhor sobre isso). A idéia básica da teoria da justiça de Forst é considerar como bem fundamental o direito à justificação: ninguém pode estar submetido a uma norma que não seja justificada. Bem, obviamente isso é bastante amplo e seria preciso discorrer sobre vários aspectos que fundamentam sua argumentação, desenvolvida em Das Recht auf Rechtfertigung (O direito à justificação), antecedido por Kontexte der Gerechtigkeit (Contextos da justiça) e Toleranz im Konflikt. Mas Forst sustenta uma posição que pretende ir além da concepção não-metafísica rawlsiana e da pós-metafísica de Habermas (ele discute isso em um dos capítulos do Das Recht…) . A propósito, lembrei que o Forst contava que Apel, em suas aulas, conseguia encontrar em qualquer comentário elementos pra sustentar sua posição ( e na verdade não é só Apel). Uma questão que permaneceu em aberto é a em que medida uma estrutura normativa pode não conter um a priori, ou ainda quais os elementos que estão em jogo nesta discussão da (pós- / não-, ou seja lá o que for) metafísica. Dá pra dizer que Habermas se dividiu: Honneth ficou com o lado hegeliano, Forst com o kantiano (o desenvolvimento dessa divergência, no entanto, extrapolaria o caráter de um post).

*relacionando isso aqui com a pergunta do Fabrício no post anterior, acho que não fica dúvidas sobre o que o Forst responderia.

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