Para quê fazer filosofia?

É uma boa pergunta, e creio que todo mundo que está no meio já ouviu. Eu ouvi pelo menos três variações constantes desta pergunta, quais sejam:

a) Tu vai fazer filosofia, mas tchê, tu tem um diploma em direito! Vai advogar, tu pode ler estes livros no teu tempo livre. Porque tu não usa filosofia como Hobby?

b) Mas para quê serve isso?

c) E onde tu vai trabalhar depois? Seja pragmático, Fabrício!

(pragmatismo, coerentemente, é uma escola de filosofia muito antes de ter sido resignificada enquanto modo de ser-no-mundo, mas deixa para lá).

Bueno, aqui tem este artigo deste economista com uma perspectiva de mercado para filosofia, ou seja, uma perspectiva focando nas vantagens que alguém que trabalha no mercado vê em estudantes com uma formação em filosofia. Para quem não quer ler em inglês, lá vai o resumão:

[1] capacidade de ler textos criticamente.

[2] escrever bem

[3] debater e falar na frente de grandes audiências

[4] criar argumentos e analises prontamente (no artigo, o autor coloca que talvez esta seja a maior vantagem em um ambiente de mercado, o diferencial de alguém com formação em filosofia).

[5] ter as ferramentas para identificar e trabalhar a distinção formal entre “certo” e “errado” em diferentes contextos e culturas.

[6] Como aplicar lógica em qualquer problema

[7] Como pensar estratégicamente e ver as coisas em “termos amplos”

[8]  Como desconstruir o “termo amplo” e ver os detalhes

Além disso, o autor cita as vantagens em se preparar em filosofia para a carreira acadêmica, focando nos testes acadêmicos aqui nos Estados Unidos (GRE/G-mat), e coloca que talvez esta seja uma das razões para a explosão na demanda de procura por cursos de Filosofia – um interesse sem precedentes– aqui na terra do Tio Sam.

Mas para quê tu foi estudar filosofia? Qual é tua experiência com isso? Tu sente que teu curso te preparou para qualquer uma das questões ali em cima? Deveria haver te preparado? Seria melhor se tivesse te preparado? E qual é a perspectiva que tu vê, fora da academia, para o teu diploma em filosofia? Tu acha que alguém olha pro teu diploma em filosofia e valoriza ele baseado nas questões ali em cima?

Em tempo, se alguém com uma perspectiva de mercado estiver com vontade de colocar a própria perspectiva aqui, vai em frente. (acho brabo que algum empresário chegue neste sáite, mas não custa tentar, né?)

Respondam aí nos comments, cambada!

4 comentários

  1. Já cansei te te dizer isso. Pra que serve a filosofia? para explicar os fatos da vida corrente e do quotidiano e com isso apresentar pontos de vista ,opinões e inflenciar não só pessoas como tb ações em diferentes niveis de responsabilidade

  2. Acho que filosofia tem a ver com influenciar pessoas ou explicar fatos da vida cotidiana tanto quanto um engenheiro ou um médico o faz.
    Se tu quer influenciar alguém, dizer que “o Dasein já sempre compreende o ser dos entes ao mesmo tempo em que compreende o seu próprio ser” ou que “o conceito de transcendental trata das condições de possibilidade da experiência”, não faz o menor efeito. Aqui, talvez, poderia-se fazer uma distinção entre filosofia e ideologia.
    Da mesma forma, acho que as aptidões apresentadas no artigo dependem mais de uma capacidade de “autocrítica” e “estudo” do que do curso em si. Claro, filosofia pode trazê-los à tona e dar uma maior importância.
    Por ora, parece que não consigo ver isso senão a partir de “pessoas”, ao invés de “curso de filosofia”. Mas, posso estar vendo isso de maneira errada.

  3. Vai ser muito legal quando o cara que vai te contratar souber desses pontos positivos aí. Até lá eu espero “putz, filosofia, não quero um bicho-grilo pra CEO da minha empresa”. Certo que, por enquanto, sendo pragmático (=PPP), no mercado de trabalho feijão-com-arroz que temos aqui, filosofia funciona como um acessório no currículo.

  4. Interessante o comentário do Marcelo. Quero dizer, é MAIS uma pergunta para a série. Qual é o tipo de pergunta que se faz antes de contratar alguém? O que é relevante? Porquê?
    Realmente, em um lugar onde a regra é tu contratares o amigo da tua tia que é “tri boa pessoa”, todas estas considerações caem por terra.

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