O burguês recusado

Segue mais uma tradução de uma entrevista do Frankfurter Allgemeine Zeitung, nº 221, de 23.09.89. Esta eu fiz praticamente sozinho e, portanto, deve ter vários erros – qualquer frase esquisita não é mero acaso.

A burguesia recusada

Odo Marquard


Eu não tinha escutado o nome “Martin Heidegger” de 1945, mas somente em 1947, como estudante em Münster. Ser e Tempo impressionou-me imediatamente naquele tempo. Eu cruzei com Heidegger pessoalmente apenas uma única vez: quando ele, no verão de 1950, experimentou seu regresso acadêmico em forma de uma sessão de seminário na Floresta Negra, da qual participaram os membros do seminário avançado de filosofia de Freiburg, entre os quais estava eu também. Ele interpretou um trecho curto da Crítica da Razão Pura de modo extremamente pedante: como uma autoridade inexorável [Denkwebel], seu lado inspirador permaneceu oculto para mim neste rápido encontro.

Assim, eu voltei a falar de Heidegger somente muito mais tarde. Em primeiro lugar, contudo, eu critiquei sua “Sociofobia” e entendi seu engajamento nacional-socialista como resultado disso. Pois eu, no atual debate-Heidegger – enquanto a mim é conhecido –, não sou exatamente popular. Este debate, que devia ser conduzido cuidadosamente, assim como H. Ott e tão soberanamente como Max Müller, é necessário. Deveria ser interessante (não apenas neste caso) como o amor à sabedoria torna-se o caminho para a loucura. Talvez seja sempre uma sola philosophia em jogo: a tentação de tornar a filosofia uma única relação da realidade. Porém, me parece que o atual debate-Heidegger muitas vezes é também um exorcismo. Espera-se, pela  prova de que um único importante filósofo esgotou os equívocos políticos em um século inteiro, que, então, para a filosofia pós-Heidegger – porque ela, daqui em diante, está esgotada – não reste mais uma possibilidade de equívoco político. Esta esperança é ingênua: já isto torna provável que ela será cultivada. Não há filosofia que atue como amuleto, que proteja contra caminhos políticos errados: deve-se pensar sozinho o mesmo e requer esperteza – a renúncia à tolice – em um caso único. Deve-se também, contudo, no que se refere à capacidade de equívocos políticos dos filósofos, esquecer acima da prova dos outros não esquecer a prova de si mesmo. Pois quem volta a consciência apenas para os outros, perde-a depressa demais, enquanto capacidade de autocrítica, o que para si mesmo é preciso.

Die verweigerte Bürgerlichkeit

Odo Marquard

Den Namen Martin Heidegger habe ich nicht vor 1945, sondern 1947 als Student in Münster zuerst gerört. “Sein und Zeit” beeindruckte mich damals sofort. Ich bin Heidegger nur ein einziges Mal persönlich begegnet: als er im Sommer 1950 seine akademische Wiederkehr probte in Form einer Seminarsitzung im Schwarzwald, an der die Mitglieder der Freiburger philosophischen Oberseminare teilnahmen, darunter auch ich. Er interpretierte einen kurzen Abschnitt der “Kritik der reinen Vernunft” extrem pedantisch? als “Denkwebel”; seine inspirierenden Seiten blieben mir bei dieser kurzen Begegnung verborgen.

So bin ich erst viel später auf Heidegger zurückgekommen. Zunächst jedoch kritisierte ich seine “Soziophobie”und verstand sein nationalsozialistiches Engagement als deren Resultat. Denn ich in der gegenwärtigen Heidegger-Debatte – soweit mir bekann ist – nicht gerade populär. Diese Debatte – die so sorgfältig geführt werden sollte, wie Hugo Ott, un so souverän, wie Max Müller es tut – is nötig: Es muß (nicht nur in diesem Fall) interessieren, was die Liebe zur Weisheit zum Weg in di Torheit werden läßt. Vielleicht ist dabei immer ein sola philosophia im Spiel: die Versuchung, die Philosophie zum einzigen Realitätsverhältnis zu machen. Doch scheint mir die gegenwärtige Heidegger-Debatte häufig auch eine Beschwörung zu sein: man erhofft den Nachweis, daß ein einziger bedeutender Philosoph die politischen Irrtumsressourcen für ein gazes Jahrhundert erschöpft hat, so daß für die Philosophen nach ihm – weil sie nunmehr verbraucht sind – an politischen Irrtumsmöglichkeiten nichts mehr übrigbleibt. Diese Hoffnung ist naiv: bereits das macht wahrscheinlich, daß sie gehegt wird. Doch es gibt keine Philosophie, die als Amulett wirkt, das gegen politische Irrwege schützt: Man muß schon selber denken und braucht Klugheit – den Verzicht auf Dummheit – im Einzelfall. Man sollte also, was die politische Irrtumsfähigkeit von Philosophen betrifft, über der Prüfung anderer nicht die Selbstprüfung vergessen. Denn wer zum Gewissen nur noch für andere wird, verliert allzuleicht das Gewissen, das er – als Fähigkeit zur Selbskritik – für sich selber nötig braucht.


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One comment

  1. […] alterações na tradução da pequena passagem de Odo Marquard sobre Heidegger que tinha feito há um tempo atrás. Gostaria de agradecer a professora Eike pela paciente […]

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