Projeto de mestrado

Quase sempre os projetos de pesquisa no mestrado recebem modificações significativas ao longo do período proposto para a realização da dissertação. Nesse sentido, gostaria de aproveitar o espaço do blog para registrar os passos dados por mim até o final do curso.

Este projeto foi realizado antes de começarem as aulas, de eu ter que entregar trabalhos ou de eu começar realmente a escrever e esmiuçar o tema. Ou seja, eu ainda estou pensado que vou conseguir concluir tudo que quero fazer.

Minha pesquisa tem por intuito estudar duas interpretações contemporâneas da Crítica da Razão Pura: a de Heidegger e a de Strawson. A pergunta que subjaz aqui é a seguinte: como é possível, na filosofia, a interpretação e, de certo modo, “atualização” dos filósofos por parte de outros? Como, por exemplo, é possível que Heidegger construa o método fenomenológico-hermenêutico e possa, a partir disso, interpretar Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, etc.? Qual a concepção de história da filosofia e a respectiva interpretação desta por parte de cada filósofo?

Assim, as principais obras que gostaria de estudar – além da Crítica – são: Interpretações fenomenológicas da Crítica da Razão Pura, de Heidegger, e Os limites do sentido, de Strawson.

Além disso, minha proposta é realizar uma espécie de “exercício filosófico”, no qual consistiria em considerar o conceito linguagem como um conceito-chave para a interpretação dos três autores, ou seja, analisar e comparar o que é a linguagem para Kant, Heidegger e Strawson e, a partir disso, traçar diferenciações e aproximações. Penso nisso, tendo em vista a divisão que se faz hoje entre analíticos e continentais e a tentativa de “junção” de ambas tradições por alguns autores contemporâneos.

19 comentários

  1. Fanton,
    achei tua idéia ótima. Mas não é um pouco mais do que tu consegues mastigar? Quer dizer, tem um bocado de sub-tema nesta tua dissertação

    A única coisa que eu te diria é para evitar o lava-a-jato filosófico, pegar um tema (por exemplo, a interpretação que Strawson faz de Kant) e seguir em frente nele. A parte do “exercício” eu deixaria para a Tese, e focaria na “Qual a concepção de história da filosofia e a respectiva interpretação desta por parte de cada filósofo?” como pergunta do projeto. Daí tu até poderias focar em duas interpretações da Crítica, Strawson e Heidegger, e como dois filósofos podem pegar o mesmo texto e sair com interpretações tão diferentes.

    ;)

  2. paralunio · · Responder

    Sim, Fabrício, também acho que está grande pra cacete; é por isso que fiz uma justificativa nos dois primeiros parágrafos…. Fiz este projeto mais para ter uma espécie de, sei lá, “horizonte” em que quero me situar na hora de escrever a dissertação e, também, para tentar elaborar e descobrir quais os principais temas da filosofia que realmente me interessam. O meu foco principal é o método fenomenológico e a sua aplicação, seja nas ciências, seja na filosofia (e história da). Porém – como a gente vai pegando essa mania de grandeza -, o Strawson entrou como uma tentativa de se diferenciar de Heidegger e, como ele é um analítico, a linguagem entrou como um conceito-chave para a diferenciação dos dois… Ou seja, fui puxando um tema atrás do outro. Ok, a formulação de um projeto pode ser lúdica e empolgante – o que não ocorre, necessariamente, na escrita de uma dissertação.

  3. paralunio · · Responder

    Fabrício, que diabos significa “lava-a-jato filosófico”?

  4. Por favor, tem como vc me mandar esse projeto de mestrado, preciso de um projeto para ser entrgue hj na aula, e n tenho base nenhuma de como fazer……

  5. Cara Aline,
    infelizmente, o política do blog – espero que meus amigos concordem comigo – é evitar ao máximo a distribuição de trabalhos (mesmo em casos de extrema urgência) e aprimorar o estilo de escrita de cada um em particular. Contudo, acho que outros sites lhe seriam muito mais eficazes e prestativos, como o http://www.estudopronto.com ou http://www.zemoleza.com.br; há, ainda, estes dois, que são ótimos para muitas outras coisas: http://www.mercadolivre.com.br e http://www.nacional.com.br. :P

  6. concordo com o nobre colega de Farroupilha.

    Veja bem, Aline, não é má-vontade nem nada. É que sabe como é, meio chato isso de ter que ficar distribuindo trabalho à toa. Por mais que eu concorde que o brilhantismo do colega Fanton é digno de ser imitado, esta coisa da estrutura do projeto e tal é meio que parte da avaliação daquela cadeira misteriosa chamada “metodologia”.

    Se você não tem base para fazer o trabalho, eu te indicaria que desse uma olhada no sáite de orientações para isso na tua faculdade. Por exemplo, o direito da PUC tem todas as indicações aqui: http://www.pucrs.br/direito/graduacao/tc/tccI/modelo.pdf

    e também aqui:
    http://www.pucrs.br/direito/graduacao/tc/tccI/organograma.pdf

    Teu departamento deve ter o mesmo tipo de instruções online.
    Querendo, da próxima vez, criticar as idéias do Fanton ou de qualquer outro contribuinte deste blog, favor comentar.

  7. ola!
    sou pedagoga e especialista, porem sempre estudei em universidades particulares, queria uma luz para preparar um projeto de mestrado de uma universidade publica ufpe
    pois sera que devo ter um orientador ja no meu ante projeto?
    me ajudem.
    grata

  8. Rafaela, isso depende das exigências de cada Programa de Pós-Graduação. Por exemplo, na PUC/RS, para entrar no mestrado, não há a necessidade de elaboração de projeto de mestrado – já que este é feito na disciplina Seminário de Dissertação, com a orientação do professor responsável – e o orientador é escolhido no primeiro semestre do mestrado – e só após a prova de seleção.
    Sugeriria para ti dar uma olhada, no próprio site do Programa de Pós-gradução da UFPE (http://www.propesq.ufpe.br/hp/filosofia), no Edital de seleção para o mestrado em Filosofia (se for o curso que tu escolheste) e ver se há a exigência de elaboração de projeto de mestrado. Se houver, acredito que tu não vais precisar de orientador para essa fase de elaboração. Em relação ao formato do projeto e como ele deve ser feito, etc., dá uma pesquisada no próprio Google – acho que tu vais encontrar site mais elaborados para este propósito.

  9. Olá pessoal passei também por apertos na hora de fazer a minha mono, mas consegui achar pessoas honestas na net que me ajudaram muito e por isso não me incomodo em divulga-los. Se tiverem um pouco de confiança visitem o site que eles procuraram ajudar.

  10. Michele,
    nós nos importamos de divulgar.
    Mas vou deixar o teu recado, sem o link, para demonstrar o tipo de golpe que o pessoal tenta para vender monografia na internet.


    Deixa bem claro, não existem “pessoas honestas”, esse tipo de pegadinha é resposta fácil para quem não tá afim de fazer trabalho de conclusão. Não sou ninguém para julgar, mas tem que dizer isso às claras.

  11. Fabrício,
    eu até tinha deletado este comentário da Michele, mas tua resposta foi uma saída ainda melhor. :)

  12. Estou querendo fazer um mestrado em filosofia.. gostaria de algumas dicas para o pré projeto, muito me agrada a area de MORALIDADE e ETICA na politica.

  13. Martinsa,
    é difícil dar dicas para um pré projeto, o que eu te diria, no geral, é para pensar em um tema em moralidade e ética, por exemplo, que te incomoda o suficiente para passares dois anos em cima dele.
    Depois disso, pensa em alguma coisa neste tema que tu identifica como um problema, uma espécie de pergunta que tu teria para fazer sobre o tema. Com isso, a coisa fica mais simples.
    Eu também te diria para focar em temas e não em autores, mas isso é próprio de programas. Tem programas que vão privelegiar dissertações sobre temas específicos, em uma abordagem geral “A concepção de moralidade na modernidade filosófica de Kant à Hegel”; até uma abordagem bem específica “A relevância do conceito de identidade na concepção Hegeliana de valores”.
    No mais, boa sorte. :)

  14. Carla Abreu · · Responder

    Fazer um projeto de pesquisa é difícil demais! Eu não sei como são as coisas aí na PUC/RS. Tanto a UFC quanto a UECE exigem aquele esquema: problematização do tema, justificativa, metodologia, objetivos, cronograma, bibliografia. Nada que possa sair bem feito se produzido em pouco tempo. Se bem que fazer um projeto longo deve ser tão trabalhoso quanto fazer um pequeno e conseguir expressar tudo em poucas linhas.

    De fato, acho que a melhor solução é sempre ir atrás de um professor! Mesmo tendo pessoas tão brilhantes por aqui!!!! :-)
    Foi isso que eu fiz: cheguei na UFC, me apresentei e pedi orientação. Quando saiu o edital, já estava com minha carta de aceitação do projeto e orientador garantidos!

  15. Boa lembranca, Carla.
    Falar com o professor que tu pretende orientacao eh fundamental, ateh para ver se ‘bate o santo’. Afinal de contas, tu vai passar – num mundo ideal – dois anos trabalhando com esta pessoa; entao tem que ver se tem receptividade pro teu projeto, este tipo de coisa.

    Professores tendem a responder email, pelo menos os que nao vivem em Bunkers na Virginia, entao mande email, apareca no escritorio com um projeto, o diabo. Via de regra, professores sao seres humanos vaidosos e que gostam de ser procurados – e ateh onde me consta, a grande maioria nao morde.

    (desculpem a falta de acentos, maldito computador Yanquee da SIU nao tem o applet para portugues, e estou com preguica para instalar agora soh para escrever este comment)

  16. Olá,

    Possuo graduação em bacharelado em Filosofia pela PUC-Campinas (2003) e atualmente estou cursando licenciatura em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília- Virtual (concluir em 2009).

    Tenho como objetivo ingressar no mestrado em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para tanto, em 2009 vou dedicar o estudo da língua inglesa ou francesa, e também elaborar o projeto de monografia.

    Na graduação vou dissertar sobre “JUSTIÇA POLÍTICA: RAWLS, RÉPLICA A HABERMAS”. No mestrado vou dar continuidade no debate entre Rawls-Habermas sobre justiça política.

    Sugestões serão bem vindas!

    Um abraço,
    Gonzaga

  17. Oi Josué. Eu acho que tem um livro, que não tem repercussão forte no Brasil, que é imprescindível para tua pesquisa. Se chama “The Normative Grounds of Social Criticism”, do Kenneth Baynes (Philosophy @ Syracuse).

    Seria um bom livro para iniciares no TCC e para encaixares pro projeto de mestrado. Não sei qualé o lado que tomas no debate, o Baynes fica mais pro lado do Habermas.

    Sou suspeito, mas acho que boa parte da (boa) produção sobre este tema é aqui nos istates, onde receberam o Habermas melhor do que o Rawls foi recebido na Europa (a recepção continental do Rawls tem um certo rancor, vamos combinar). Daí eu te indicaria além do Baynes, o Richard Bernstein, a Seyla Benhabib e o Max Pensky.

    Do lado alemão, o trabalho do Hoffe, do Tugendhat (que se coloca na mesma liga do Rawls e do Habermas, lugar onde, ao meu ver, ele não está) e o Kersting são trabalhos interessantes. Mas algumas das críticas deste povo, eu não compro – especialmente as do Kersting. Mas deve valer a leitura.

    Bonne chance.

  18. […] no mestrado com um projeto lunático, beirando a internação permanente no São Pedro (sobre meus projetos de mestrado, vou escrever […]

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